Esta trilha não garante emprego. O que ela faz é reduzir a distância entre "quero virar dev" e "tenho evidências reais de que estou evoluindo": projetos publicados, um GitHub organizado e a capacidade de explicar o que você fez. Este é o oitavo e último artigo da trilha "Quero virar dev em casa", e ele cobre como buscar a primeira vaga, o que a lei diz sobre estágio e como não cair em golpes de falsa vaga. Se você ainda não leu, veja o artigo sobre o primeiro projeto, que gera material para o portfólio.

O que esta matéria não traz: salários, número de vagas, tempo médio para a primeira vaga ou taxa de contratação. A Redação não encontrou fonte oficial com esses números e não vai inventá-los.

Para quem é este artigo

Para quem já tem pelo menos um ou dois projetos publicados e quer começar a se candidatar. Pré-requisitos: o artigo de Git e GitHub e um projeto publicado.

O que você vai aprender

  1. Como definir que vaga procurar.
  2. Como montar portfólio, GitHub, currículo e LinkedIn.
  3. Onde procurar e como organizar candidaturas.
  4. O que a Lei do Estágio diz.
  5. Como se preparar para entrevistas.
  6. Como reconhecer golpes de falsa vaga.

Passo 1: decida que vaga você quer

O MDN recomenda pensar com cuidado no tipo de trabalho que você quer antes de entrar no mercado: o tipo de função, o tipo de empresa, o setor e o local de trabalho. Também pede para checar se a vaga é realista para o seu nível: segundo o MDN, "você não terá a experiência para uma vaga sênior se estudou JavaScript por três meses".

O que se espera de uma pessoa júnior (opinião da Redação, sem pesquisa de mercado): em geral, que você entregue tarefas pequenas com orientação, saiba ler código e documentação, use controle de versão, peça ajuda com clareza e aprenda rápido. Cada empresa define isso à sua maneira, e a vaga costuma dizer. Leia o anúncio com atenção e candidate-se ao que você consegue demonstrar.

Passo 2: mostre o que você sabe fazer (portfólio)

A frase do MDN resume tudo: "não me diga o que você sabe fazer, mostre." O que ele recomenda para o portfólio:

  • Uma página de entrada (landing page).
  • Alguns projetos significativos, cada um com título, miniatura, descrição e tecnologias usadas.
  • Links para o código-fonte e para demonstrações no ar.
  • Trabalho publicado em público, como no GitHub; e, se possível, um site próprio com endereço próprio.
  • Se tiver, contribuições a projetos de código aberto, com o link para o pull request que prova o trabalho.

Como aplicar com o que você fez nesta trilha (da Redação):

Projeto da trilhaMostra que você sabe
Currículo online (artigo 3)HTML, CSS, responsividade e publicação
Lista de tarefas (artigo 4)JavaScript, DOM, eventos e armazenamento
Meu Radar de Vagas (artigo 6)Um projeto próprio, testado, com cuidados de segurança

Poucos e bem-acabados valem mais do que muitos pela metade (recomendação da Redação). Cada um com README, demonstração e uma frase sobre o que você aprendeu.

Passo 3: um GitHub que um recrutador entende

O GitHub diz que o README serve para comunicar informações importantes sobre o projeto e costuma ser o primeiro lugar que o visitante olha. Segundo a página, um bom README costuma dizer o que o projeto faz, por que é útil, como começar, onde pedir ajuda e quem o mantém. Dicas da Redação:

  • README em todo projeto, com captura de tela e link da demonstração.
  • README de perfil: o GitHub informa que um README em um repositório público com o mesmo nome do seu usuário aparece no seu perfil. Use-o como cartão de visita, em poucas linhas.
  • Histórico limpo: commits pequenos e com mensagens claras, como no artigo de Git.
  • Nada de segredos: revise o repositório antes de torná-lo público.
  • Apague ou deixe de lado o que está pela metade, ou explique no README o que falta.

Passo 4: o currículo

O MDN recomenda:

  • Cerca de duas páginas.
  • Conteúdo: dados de contato, uma apresentação curta, experiência de trabalho, formação e informações de apoio (links do portfólio, interesses).
  • Revisão cuidadosa de ortografia e gramática, porque "gestores de contratação costumam descartar um currículo com erro de digitação".
  • Adaptado a cada vaga.

Modelo para quem ainda não tem experiência na área (da Redação):

Seu Nome
Cidade, estado · e-mail · telefone (opcional) · LinkedIn · GitHub · portfólio

Resumo (2 a 3 linhas)
Estudante de programação com projetos publicados em HTML, CSS e JavaScript.
Procuro uma vaga júnior em desenvolvimento web para aprender em equipe.

Projetos (3 a 4)
Meu Radar de Vagas | JavaScript, localStorage | endereço da demonstração · código
  O que faz, em uma linha, e o que você aprendeu.

Formação e cursos
Curso/instituição, ano. Trilhas e cursos que você concluiu.

Experiência
Outras experiências de trabalho, mesmo fora da área, com resultados reais.

Habilidades
HTML, CSS, JavaScript, Git, GitHub.

Regra de ouro: nunca invente experiência, projeto ou tecnologia. Entrevistas costumam voltar ao que está no papel.

Passo 5: o LinkedIn

O MDN recomenda usar o LinkedIn como perfil e ferramenta de busca. Boas práticas (da Redação): um resumo claro do que você faz e procura, os projetos com links, as mesmas informações do currículo e uma lista de pessoas e empresas que você acompanha. Atenção às mensagens de recrutadores desconhecidos: a seção de golpes abaixo explica os sinais.

Passo 6: onde procurar e como organizar

O MDN recomenda combinar abordagens: sites de vagas, redes da comunidade, páginas de carreira das empresas e eventos de networking. Também recomenda manter um inventário de contatos e candidaturas e retomar o contato de tempos em tempos. É para isso que serve o Meu Radar de Vagas que você construiu: empresa, cargo, link, status e data.

Para ganhar experiência enquanto procura, o MDN cita: projetos pessoais, trabalho voluntário para pequenos negócios ou entidades, código aberto e ajudar outras pessoas em fóruns. Se for preciso, uma vaga adjacente ou freelance pode ser um degrau.

Cuidado com a pressa: siga as instruções de candidatura exatamente como estão no anúncio, e escreva respostas longas em um editor à parte para não perdê-las.

Estágio, o que a lei diz

Muita gente começa por um estágio. A Lei 11.788/2008 (Lei do Estágio), no texto do Planalto, diz o seguinte (resumo da Redação, que não substitui a leitura da lei nem orientação jurídica):

TemaO que a lei diz
O que é (art. 1º)Estágio é ato educativo escolar supervisionado, no ambiente de trabalho, para a preparação para o trabalho produtivo de quem está estudando
Vínculo (art. 3º)O estágio não cria vínculo empregatício, desde que cumpridos três requisitos: matrícula e frequência regular em curso, termo de compromisso entre o estudante, a empresa e a instituição de ensino, e compatibilidade entre as atividades e as previstas no termo
Obrigações da empresa (art. 9º)Entre outras: celebrar o termo de compromisso, indicar supervisor e contratar seguro contra acidentes pessoais
Jornada (art. 10)Combinada entre as partes e compatível com a escola, sem passar de 6 horas diárias e 30 semanais para ensino superior, educação profissional de nível médio e ensino médio regular
Duração (art. 11)Não pode passar de 2 anos na mesma empresa, salvo pessoa com deficiência
Bolsa (art. 12)O estagiário pode receber bolsa; no estágio não obrigatório, a bolsa e o auxílio-transporte são compulsórios
Recesso (art. 13)30 dias para estágio de um ano ou mais, de preferência nas férias escolares, remunerado quando houver bolsa; proporcional se for menor

Para a sua conversa com a empresa: pergunte qual é o tipo de contrato (estágio, CLT ou outro), confira se há termo de compromisso e peça os detalhes de jornada e remuneração por escrito. Estágio sem matrícula em curso ou sem termo de compromisso é um sinal de alerta.

Passo 7: entrevistas

O MDN descreve quatro formatos:

  1. Triagem inicial: uma conversa curta para avaliar o encaixe com a cultura.
  2. Perguntas sobre experiência: monte um conjunto de histórias suas, porque as perguntas costumam pedir exemplos de situações reais.
  3. Entrevista de código: problemas como escrever uma função que recebe valores e devolve um resultado. O MDN diz que as empresas costumam olhar a sua abordagem, o tratamento de erros e a explicação.
  4. Tarefa para casa: o MDN diz que um escopo claro importa: um projeto com limite de quatro horas é razoável, um fim de semana inteiro não.

Preparação (do MDN): um lugar arrumado e silencioso, pesquisar a empresa (produtos, concorrentes, notícias recentes) e preparar perguntas para os entrevistadores.

Roteiro da Redação:

  • Treine explicando os seus próprios projetos em voz alta, de começo a fim, em dois minutos.
  • Prepare três histórias reais: um problema que você resolveu, um erro que você cometeu e o que aprendeu, e uma vez em que você pediu ajuda. O bug dos identificadores repetidos da lista de tarefas, por exemplo, é uma boa história.
  • Treine código simples em voz alta, explicando o raciocínio, e não só o resultado.
  • Se não souber, diga o que faria para descobrir.
  • Peça retorno se for recusado: o MDN recomenda pedir feedback ao recrutador.

IA na preparação, sem trapacear: use IA para simular perguntas e revisar suas respostas, mas não para responder por você durante a entrevista nem para inventar experiência. O MDN avisa que as respostas de IA podem ser enganosas, então verifique em outras fontes.

Golpes de falsa vaga: como não cair

Quem procura emprego é alvo. O comunicado da Febraban de 12 de maio de 2026 (conforme a republicação do Poder360) descreve criminosos que se passam por recrutadores ou agências, contatam por WhatsApp, e-mail ou redes sociais e usam uma "vaga imperdível" como isca para capturar fotos, documentos, dados bancários e assinaturas digitais. Podem cobrar taxa de inscrição, exames médicos falsos ou um curso preparatório para uma vaga que não existe. Os dados podem ser usados, por exemplo, em autenticações biométricas e na abertura de financiamentos em nome da vítima.

As cinco recomendações da Febraban, resumidas:

  1. Desconfie de processos seletivos muito simplificados e de salários bem acima do mercado.
  2. Confirme a vaga no site ou nas redes oficiais da empresa antes de abrir links recebidos.
  3. Confirme que o recrutador é verdadeiro; em e-mails, veja se o endereço é corporativo.
  4. Não envie fotos de documentos, dados bancários ou assinatura digital sem ter certeza de que a empresa é legítima.
  5. Não pague nenhuma taxa: inscrição, exames ou cursos antes da contratação.

A Gupy reforça, na sua página, que a plataforma não cobra dos candidatos, que qualquer cobrança para entrar em um processo seletivo deve gerar desconfiança e que dados pessoais devem ser compartilhados em plataformas de vagas, e não por contatos de WhatsApp ou telefone. Se você caiu: guarde todos os registros de conversas e pagamentos, avise a empresa cuja imagem foi usada e a plataforma onde a vaga apareceu e faça um boletim de ocorrência. Veja também o guia de golpes no WhatsApp, que inclui o falso emprego, e o artigo sobre como proteger e-mail e contas.

Depois da oferta

O MDN recomenda comparar o salário com as faixas de mercado, conferir o seu aviso prévio se estiver empregado e avisar sobre compromissos já assumidos. A Redação acrescenta: peça a oferta por escrito, com tipo de contrato, jornada, remuneração e benefícios.

Persistência (sem romantizar)

O MDN diz que mesmo os melhores candidatos recebem recusas de várias candidaturas antes de conseguir a vaga que querem. Se for recusado depois de uma entrevista, peça retorno. Anote o que aprendeu no Radar de Vagas e melhore o próximo ciclo.

Vídeos para estudar

Os quatro vídeos foram verificados quanto ao título, ao canal, à duração, à data e à possibilidade de incorporação. A Redação não os assistiu na íntegra nem verificou o que dizem.

Em português, com cerca de 9 minutos, publicado em 22 de dezembro de 2024. Monta um currículo passo a passo. É opinião do criador. Nível: iniciante.
Vídeo: Dev Magro | Carrilho
Em português, com cerca de 9 minutos, publicado em 10 de outubro de 2023. Dicas de perfil no LinkedIn. Tem mais de três anos, então confira se a plataforma mudou. Nível: iniciante.
Vídeo: Igor Mucharski
Em português, com cerca de 15 minutos, publicado em 31 de janeiro de 2025. Perguntas comuns de entrevista para júnior, segundo o criador. Nível: iniciante.
Vídeo: O Novo Programador
Em português, com cerca de 21 minutos, publicado em 19 de fevereiro de 2026. Temas de front-end, back-end e arquitetura que, segundo a criadora, os recrutadores cobram. A descrição divulga uma newsletter e uma plataforma de cursos do canal. Nível: iniciante.
Vídeo: Fernanda Kipper

Exercícios práticos

  1. Defina seu alvo: escreva em três linhas que tipo de vaga, empresa e local você procura.
  2. Revise o portfólio: escolha os três projetos que você mostraria e dê a cada um um README com captura de tela e link da demonstração.
  3. Escreva o currículo no modelo acima, em no máximo duas páginas, e peça a alguém que o revise.
  4. Atualize o GitHub e o LinkedIn com as mesmas informações.
  5. Cadastre dez vagas no Radar de Vagas, conferindo cada uma no site oficial da empresa.
  6. Faça uma entrevista de treino com um amigo ou gravando a si mesmo: explique um projeto em dois minutos e conte as três histórias.
  7. Teste o seu detector de golpes: para cada vaga, responda: a empresa existe? O contato é corporativo? Alguém pede dinheiro ou documentos cedo demais?

Erros comuns

  • Candidatar-se a vagas de nível sênior sem demonstrar o básico.
  • Mandar o mesmo currículo para todas as vagas.
  • Erros de digitação no currículo e no LinkedIn.
  • Portfólio sem README, sem demonstração ou com projetos pela metade.
  • Inventar experiência ou tecnologia.
  • Passar dados e documentos a um "recrutador" desconhecido ou pagar taxa para participar.
  • Aceitar estágio sem termo de compromisso ou sem estar matriculado.
  • Não preparar perguntas para fazer ao entrevistador.
  • Desistir na terceira recusa.

Checklist de conclusão

  • Defini o tipo de vaga que procuro e conferi se é realista para o meu nível.
  • Tenho de 2 a 4 projetos publicados, com README e demonstração.
  • Meu GitHub está organizado e sem segredos.
  • Meu currículo tem até duas páginas, sem erros e sem informações inventadas.
  • Meu LinkedIn conta a mesma história do currículo.
  • Mantenho um inventário de candidaturas (o Radar de Vagas).
  • Conheço as regras básicas do estágio e sei checar o termo de compromisso.
  • Sei os sinais de golpe de falsa vaga e nunca pago para participar de um processo seletivo.
  • Treinei explicar os meus projetos e contar três histórias.

Você chegou ao fim da trilha

Se você percorreu a trilha, tem uma página publicada, uma lista de tarefas, um projeto próprio, um repositório organizado e um plano de estudo. Nada disso garante um emprego, mas é o que reduz a distância entre querer e demonstrar. Volte à página da trilha para marcar o que concluiu, e continue praticando.

Perguntas frequentes

O que as empresas esperam de um dev júnior?

Não há um padrão único, e a Redação não encontrou pesquisa oficial sobre isso. Em geral, espera-se que a pessoa entregue tarefas pequenas com orientação, leia código e documentação, use controle de versão e aprenda rápido. O melhor guia é o anúncio da vaga. A resposta é da Redação.

Portfólio importa mais do que certificado?

O MDN recomenda mostrar o trabalho, e não só dizer o que sabe fazer: projetos publicados, com código e demonstração. Não há fonte oficial nesta matéria que compare o peso de portfólio e certificado.

Quantas páginas deve ter o currículo?

O MDN recomenda cerca de duas páginas, sem erros de digitação e adaptado a cada vaga.

Como saber se uma vaga é golpe?

Segundo a Febraban e a Gupy, desconfie de processos muito simplificados, salários bem acima do mercado e qualquer cobrança de taxa, exame ou curso para participar. Confirme a vaga no site oficial da empresa e não envie documentos nem dados bancários antes de validar o recrutador.

Estágio cria vínculo de emprego?

Segundo a Lei 11.788/2008 (art. 3º), o estágio não cria vínculo empregatício se houver matrícula e frequência regular, termo de compromisso e compatibilidade das atividades. É um resumo, e não orientação jurídica.

Qual é o limite de jornada do estágio?

Pela lei, até 6 horas diárias e 30 semanais para ensino superior, educação profissional de nível médio e ensino médio regular, sempre compatível com as atividades escolares.

Estagiário tem direito a bolsa?

A lei diz que o estagiário pode receber bolsa; no estágio não obrigatório, a bolsa e o auxílio-transporte são compulsórios (art. 12).

O que fazer se for recusado?

O MDN diz que até os melhores candidatos recebem recusas e recomenda pedir feedback ao recrutador depois de uma entrevista. Registre o que aprendeu e ajuste o currículo e a preparação.

Posso usar IA para me preparar para entrevistas?

Pode, para simular perguntas e revisar respostas, sem inventar experiência. O MDN avisa que respostas de IA podem ser enganosas, então confirme em outras fontes.

Fontes