A regra que mais protege no golpe do amor é simples: nunca envie dinheiro, presente ou "investimento" a alguém que você conheceu pela internet e nunca encontrou pessoalmente. É o conselho central da agência americana de defesa do consumidor, a FTC, e as polícias brasileiras ouvidas aqui dão orientações na mesma linha. Este é mais um desdobramento do nosso guia com 20 golpes no WhatsApp.

Como o golpe funciona

Segundo a Polícia Civil do Paraná (alerta de 11 de junho de 2026, véspera do Dia dos Namorados, em reportagem do Metrópoles) e a FTC:

  1. O perfil falso. O golpista cria um perfil em rede social ou aplicativo de namoro, com fotos tiradas de outras pessoas, imagens da internet ou imagens geradas por inteligência artificial.
  2. A construção da confiança. Conversa diária, elogios, declarações de afeto e planos de futuro, por semanas ou meses. A FTC diz que o golpista pode conversar várias vezes por dia e que costuma tentar levar a conversa para fora do aplicativo onde vocês se conheceram.
  3. O motivo para não se encontrar. Mora ou viaja no exterior, trabalha em plataforma de petróleo, é militar ou atua em organização internacional (exemplos da FTC). Evita videochamadas ou encontros.
  4. A emergência. Surge uma história de doença, dificuldade financeira, acidente, viagem ou problema para voltar ao país de origem, segundo a polícia paranaense. A FTC cita despesas médicas, passagem para visitar, taxas de visto ou advogado, e ajuda para investir em criptomoedas.
  5. O pedido. Transferência, empréstimo ou pagamento, com pressão para agir logo.

A combinação mais cara: romance e falso investimento

Em 14 de setembro de 2026, o Povo na Rua noticiou que a Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), prendeu um homem suspeito de aplicar o golpe. Segundo a reportagem, ele procurava vítimas em aplicativos de namoro, passava a conversar por redes sociais, mostrava um estilo de vida bem-sucedido e dizia trabalhar no mercado financeiro com acesso a investimentos "exclusivos". Depois de criar vínculo, oferecia retornos muito acima da média, e a vítima fazia Pix e TED para contas ligadas a ele. Ao tentar sacar, encontrava desculpas operacionais e burocráticas. A reportagem registra prejuízo de R$ 327.161,47 de uma vítima. O homem é apenas investigado; a reportagem não relata denúncia nem condenação.

O caso mostra um padrão que a Redação destaca, e que é da Redação, não da polícia: romance e dinheiro nunca andam juntos no começo de uma relação real. Quando a conversa afetiva vira conversa sobre investimento, é hora de parar e falar com alguém de confiança.

Sinais de alerta

Da Polícia Civil do Paraná e da FTC:

  • Conta recém-criada, muitas fotos postadas no mesmo dia, imagens de baixa resolução e pouca interação nas publicações.
  • Resistência a videochamada ou encontro presencial.
  • Declarações intensas muito cedo.
  • Pressão para tirar a conversa do aplicativo de namoro para um canal privado.
  • História que justifica não se encontrar e depois uma emergência que exige dinheiro.
  • Pedidos de pagamento por meios difíceis de reaver: a FTC cita transferência, cartões-presente, aplicativos de transferência e criptomoedas.
  • Urgência.

Como checar uma pessoa que você conheceu online

Orientações da FTC e da polícia paranaense:

  1. Busca reversa de imagem. Pesquise as fotos do perfil em um buscador de imagens para ver se aparecem com outros nomes.
  2. Busque a profissão e a história da pessoa junto com a palavra "golpista", como sugere a FTC.
  3. Peça uma videochamada em tempo real. A resistência é sinal. A Redação ressalta que vídeo, como áudio, também pode ser manipulado por IA, então a videochamada ajuda, mas não prova sozinha; o que protege é nunca enviar dinheiro antes de conhecer a pessoa.
  4. Converse com alguém de confiança. A FTC recomenda falar com um amigo ou familiar sobre suas dúvidas. Quem está dentro da história costuma não enxergar o padrão.

Se você já enviou dinheiro

Orientações da FTC e do material publicado sobre o caso do Rio de Janeiro:

  1. Pare de enviar e interrompa o contato. Nenhuma "taxa para liberar" traz o dinheiro de volta.
  2. Avise o banco imediatamente e peça o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, que a reportagem do Rio cita como caminho. Veja prazos e limites na nossa matéria sobre o Pix MED. A devolução não é garantida.
  3. Guarde as provas: capturas de tela das conversas, links do perfil, e-mails, telefones, comprovantes de Pix e TED, com o nome e o CPF ou CNPJ de quem recebeu.
  4. Registre boletim de ocorrência, presencial ou na delegacia virtual do seu estado. No Rio de Janeiro, a reportagem indica ainda o Disque Denúncia, pelo (21) 2253-1177.
  5. Denuncie o perfil no aplicativo ou na rede social onde vocês se conheceram, como recomenda a FTC.

A culpa nunca é da vítima. Quem diz isso é o delegado José Barreto, chefe do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná: "A culpa nunca é da vítima, por isso não tenha vergonha de denunciar." Se estiver abalado, procure alguém de confiança. O CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

O que a Redação não encontrou

  • Número confiável de vítimas e de prejuízo do golpe do amor no Brasil. As reportagens lidas não trazem estatísticas, e a Redação não usa números de fontes que não conseguiu abrir.
  • Dados recentes da FTC de forma confiável: o alerta de maio de 2026 traz um valor de perdas de romance com unidade ambígua, e por isso ele não é citado.
  • Alerta específico da Febraban sobre romance scam em 2026.

Perguntas frequentes

O que é o golpe do amor?

É um golpe em que o criminoso se passa por alguém interessado em um relacionamento, constrói confiança por semanas ou meses e então inventa uma emergência ou um investimento para obter dinheiro. Também é chamado de romance scam.

Como saber se o perfil é falso?

Sinais apontados pela Polícia Civil do Paraná: conta recente, muitas fotos no mesmo dia, baixa resolução, pouca interação e resistência a videochamada ou encontro. A FTC sugere a busca reversa de imagem e pesquisar a história da pessoa junto com "golpista".

O golpista sempre pede dinheiro logo?

Não. O golpe costuma levar semanas ou meses de conversa antes do pedido, segundo a polícia paranaense. Por isso a regra é não enviar dinheiro a quem você nunca encontrou, não importa o tempo de conversa.

Já mandei dinheiro, dá para recuperar?

Não há garantia. Avise o banco na hora e peça o MED se foi Pix, guarde as provas e registre boletim de ocorrência.

Posso confiar numa videochamada?

Ela ajuda, mas não prova sozinha: áudio e vídeo também podem ser manipulados por IA. O que protege é não enviar dinheiro antes de conhecer a pessoa.

Fontes