Não há evidência sólida de que agentes de IA vão substituir gerentes como categoria. O que as fontes mostram é que agentes podem assumir tarefas de gestão (agendar, consolidar relatórios, acompanhar indicadores), enquanto decisão, responsabilidade e relação com pessoas seguem humanas, e a adoção em empresas ainda esbarra em governança. Isso é uma leitura da Redação a partir de projeções, não uma previsão.

O que é um agente de IA

Em resumo: é um sistema em que o modelo de IA decide os passos e usa ferramentas (e-mail, planilhas, sistemas) para cumprir um objetivo, em vez de só responder perguntas. A diferença para chatbot e automação tradicional está no guia do site sobre o tema. Mais conteúdo sobre IA está em /ia.

O que a Gartner projetou sobre gerentes

Em outubro de 2024, a Gartner previu que, até 2026, 20% das organizações usariam IA para achatar sua estrutura, eliminando mais da metade dos cargos atuais de gerência intermediária. A justificativa citada na cobertura é economia de custos e a automação de agendamento, relatórios e monitoramento, que deixaria os gerentes restantes com mais foco estratégico. A mesma cobertura registra o risco de gerentes ficarem sobrecarregados.

Pontos de cautela:

  • é projeção de uma consultoria, de 2024, e não uma medição;
  • não encontramos, nas fontes lidas, confirmação de que isso tenha acontecido em 2026;
  • a Gartner também previu que, até 2028, 25% das violações em empresas estarão ligadas ao mau uso de agentes de IA e que 40% dos CIOs vão exigir "agentes guardiões" para monitorar ações de IA. São riscos que exigem gente supervisionando.

O que a adoção real mostra

Uma pesquisa da Gartner com 360 líderes de aplicações de TI, divulgada em 30 de setembro de 2025, indica que só 15% consideravam, testavam ou usavam agentes totalmente autônomos (sem supervisão humana), que só 13% acreditavam ter a governança certa para gerir agentes (segundo o CIO Dive) e que quase três quartos viam agentes como um novo vetor de ataque.

Em junho de 2025, a Gartner previu ainda que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, por custo, valor pouco claro e controles de risco fracos, e apontou o "agent washing" (rebatizar produtos antigos como agentes). Detalhes na matéria Agent washing e a previsão da Gartner.

O que agentes podem fazer na gestão

Tarefas hoje plausíveis, com supervisão:

  • reunir dados e montar relatórios de status;
  • resumir reuniões e levantar pendências;
  • agendar, lembrar prazos e sinalizar atrasos;
  • redigir rascunhos de comunicados e feedbacks para revisão.

Cada uma dessas tarefas pode falhar (dado errado, contexto perdido), por isso entra a revisão humana.

O que ainda exige humano

Segundo a OIT, a transformação dos empregos é mais provável que a substituição, porque a maioria das ocupações mistura tarefas que pedem trabalho humano. Aplicando isso à gestão, é uma interpretação da Redação, ficam com pessoas:

  • responsabilidade por decisões de contratação, demissão e avaliação, inclusive perante a lei;
  • conflitos, motivação e confiança em equipes;
  • definição de prioridades e escolhas com valores em jogo;
  • decidir o que o agente pode ou não fazer. Veja permissões mínimas e riscos de agentes de IA.

Riscos: autonomia, responsabilidade e vigilância

  • Autonomia sem governança: agente com acesso demais pode agir errado e rápido.
  • Responsabilidade difusa: quando o erro é do agente, quem responde? Em geral, a organização.
  • Vigilância: a Gartner previu que, até 2028, 40% das grandes empresas usarão IA para influenciar humor e comportamento de funcionários com motivação de lucro. É projeção e levanta questão de privacidade (no Brasil, a LGPD se aplica a dados de empregados; não analisamos aqui casos concretos).
  • Carreira: a Gartner alerta que juniores podem perder oportunidades de desenvolvimento se a mentoria for interrompida.

Cenários até 2030 (opinião da Redação, não previsão)

  1. Gerente aumentado: o cargo continua, com mais tarefas delegadas a agentes e equipes maiores sob a mesma pessoa.
  2. Camadas achatadas: algumas empresas cortam a gerência intermediária, o que a Gartner projetou, com risco de sobrecarga.
  3. Recuo por custo ou risco: parte dos projetos é cancelada, como a Gartner também projeta, e a gestão muda menos que o esperado.

Os três podem coexistir em setores diferentes.

Perguntas frequentes

Agentes de IA já substituem gerentes?

Não encontramos evidência disso nas fontes lidas. Há projeções de enxugamento da gerência intermediária, mas não confirmação de que ocorreu em escala.

Qual era a previsão da Gartner?

Em outubro de 2024, a Gartner previu que, até 2026, 20% das organizações usariam IA para achatar a estrutura, eliminando mais da metade dos cargos de gerência intermediária. É projeção.

Que tarefas de gestão um agente pode assumir?

Relatórios, agendamento, resumos e acompanhamento de prazos, com revisão humana. Decisões sobre pessoas e responsabilidade continuam humanas.

Empresas confiam em agentes autônomos?

Em pesquisa da Gartner de 2025 com 360 líderes de TI, só 15% consideravam, testavam ou usavam agentes totalmente autônomos, e só 13% achavam ter governança adequada.

Como um gerente deve se preparar?

Aprender a delegar tarefas a agentes, revisar resultados e definir limites de acesso. Reforçar habilidades de liderança e comunicação, que as fontes não apontam como automatizáveis por inteiro.

Fontes