# Perguntas para levar ao médico quando uma nova tecnologia entra no seu cuidado

> IA no exame, robô na cirurgia, relógio que mede o coração, terapia nova. Um roteiro de perguntas por situação, um passo a passo para checar registro na Anvisa e na FDA e sinais de alerta de promessa milagrosa.

- Editoria: Tech Health
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-25T11:45:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/tech-health/perguntas-para-levar-ao-medico-sobre-novas-tecnologias-de-saude

Não existe pergunta boba quando uma tecnologia entra no seu cuidado. A resposta curta: peça ao profissional que explique o que a tecnologia faz, quem decide depois dela, qual a evidência, se o produto é regularizado e o que acontece com os seus dados. No Brasil, em um ponto específico você tem direito garantido: pela Resolução CFM 2.454/2026, o paciente tem o direito de ser informado, de forma clara e acessível, quando IA for usada como apoio relevante no cuidado, no diagnóstico ou no tratamento (art. 5º, §1º).

Use este texto como roteiro. Escolha a situação que se parece com a sua, leve as perguntas anotadas e, se não entender uma resposta, peça de novo com outras palavras.

## Por que perguntar importa

A pergunta transforma a promessa em informação para decidir. A própria norma do CFM prevê que o paciente pode fazer a recusa informada do uso de IA (art. 5º, §3º), o que só é possível se você souber que ela está sendo usada.

## Situação 1: IA em exame de imagem

Se o seu exame de imagem (mamografia, tomografia, raio X) passa por um software de IA, pergunte:

- **A IA foi usada no meu exame?** Por quê: é o direito de informação previsto no art. 5º, §1º, da resolução do CFM.
- **Quem vai ler e assinar o laudo?** Por quê: a resolução diz que o médico continua integralmente responsável pelos atos praticados com apoio de IA (art. 7º).
- **Posso pedir a leitura sem IA?** Por quê: a norma menciona a recusa informada.

Para o contexto completo, leia [IA na radiologia: o que muda para o seu exame](/tech-health/ia-na-radiologia-o-que-muda-para-o-seu-exame).

## Situação 2: cirurgia robótica

- **Quem controla cada etapa e o que o robô faz de fato?** Por quê: entender o papel do equipamento. Veja [Cirurgia robótica: o robô opera sozinho?](/tech-health/cirurgia-robotica-o-robo-opera-sozinho).
- **Por que esta técnica e não a convencional no meu caso?** Por quê: a escolha deve ter motivo clínico, não só a disponibilidade do equipamento.
- **Quantas vezes a equipe já fez esse procedimento?** Por quê: experiência da equipe importa tanto quanto o aparelho.
- **Quais os riscos e o que acontece se for preciso converter para a cirurgia aberta?** Por quê: você consente melhor quando conhece o plano B.

## Situação 3: smartwatch ou aplicativo

- **Esse alerta ou medição serve para decidir algo ou é só informativo?** Por quê: relógios e apps têm limites. Veja [Smartwatch pode detectar problema cardíaco?](/tech-health/smartwatch-pode-detectar-problema-cardiaco).
- **O que devo fazer quando o aparelho avisa que algo está errado, e quando não devo me preocupar?** Por quê: evita tanto o pânico quanto a falsa segurança.
- **O app ou aparelho tem registro? Posso levar o resultado para a consulta?** Por quê: é preciso saber se o produto é regularizado (veja o checklist abaixo).

Sobre exames feitos pelo celular, leia [Celular pode virar laboratório de saúde?](/tech-health/celular-pode-virar-laboratorio-de-saude).

## Situação 4: terapia nova ou ensaio clínico

- **Isso é tratamento aprovado, uso fora da bula ou estudo em andamento?** Por quê: pesquisa, ensaio, aprovado e em uso são estágios diferentes, com níveis diferentes de segurança conhecida.
- **Aprovado por qual regulador, no Brasil ou só em outro país?** Por quê: "aprovado" só significa algo quando se diz por quem. Um exemplo de terapia complexa está em [Terapias celulares CAR-T explicadas](/tech-health/terapias-celulares-car-t-explicados).
- **Quais os riscos conhecidos e o que ainda não se sabe?** Por quê: uma boa resposta inclui o que é incerto.
- **Se for estudo: quem financia, qual comitê acompanha e posso sair a qualquer momento?** Por quê: são perguntas de consentimento. Peça tudo por escrito antes de assinar.

## Situação 5: dados e privacidade

Dado de saúde é, pela LGPD, dado pessoal sensível (art. 5º, II). A lei diz que o tratamento desses dados só pode ocorrer em hipóteses específicas, e uma delas é o consentimento do titular, dado de forma específica e destacada, para finalidades específicas (art. 11, I). Existem outras hipóteses previstas no mesmo artigo, por exemplo, para a tutela da saúde, o cumprimento de obrigação legal e a realização de estudos por órgão de pesquisa. Pergunte:

- **Meus dados serão enviados a uma empresa ou plataforma? Para quê?** Por quê: a resolução do CFM exige que o compartilhamento com sistemas de IA ocorra de forma adequada às finalidades informadas e só quando estritamente necessário (art. 6º, §1º).
- **Meus dados serão usados para treinar ou melhorar algum sistema?** Por quê: a norma pede que esse uso observe princípios éticos, científicos e proteção de dados (art. 6º, §2º).
- **Como esses dados são protegidos e quem tem acesso?** Por quê: a resolução veda o uso de sistemas sem padrões mínimos de segurança da informação (art. 6º, §3º).
- **Posso pedir para não compartilhar? E se eu mudar de ideia?** Por quê: consentimento é uma escolha sua. Se algo ficar sem resposta, procure o encarregado de dados do serviço.

## Checklist: como checar o registro de um produto

1. **Peça o nome comercial, o fabricante e o número de registro ou cadastro** do equipamento, software ou app usado em você.
2. **No Brasil, procure na Anvisa.** A página de consulta a registro separa os sistemas por categoria, incluindo dispositivos médicos (produtos para saúde). A Anvisa também publica uma lista única de dispositivos médicos regularizados, com nome do produto, número de registro ou cadastro, detentor, fabricante e país de fabricação. A lista é atualizada diariamente e retira os produtos vencidos ou cancelados.
3. **Confira os dados batendo com o que foi dito:** nome, fabricante e número. O mesmo número pode aparecer mais de uma vez quando o produto tem mais de um fabricante ou país de fabricação.
4. **Para um produto dos EUA, consulte o Devices@FDA**, catálogo de dispositivos liberados ou aprovados pela FDA, que busca nas bases 510(k) e PMA e traz resumo, fabricante, data e instruções. A FDA mantém também a base De Novo (dispositivos novos de risco baixo a moderado) e a MAUDE, com relatos de eventos adversos.
5. **Lembre os limites:** estar em uma base significa que o produto foi regularizado ou autorizado, não que serve para o seu caso. E a FDA não vale como aprovação no Brasil: aqui o regulador é a Anvisa.

## Sinais de alerta de promessa milagrosa

O NCCIH, do NIH americano, lembra que há muita desinformação, de relatos pessoais apresentados como prova a exageros de fabricantes e a "cura milagrosa" anunciada na TV. Desconfie quando aparecer:

- **Garantia de cura** ou resultado "100%".
- **Depoimentos no lugar de estudos**, sem dizer em quem, como e por quanto tempo foi testado.
- **"Natural" vendido como sinônimo de seguro.** O NCCIH diz que natural não significa necessariamente mais seguro ou melhor, e cita a kava, associada a dano grave ao fígado.
- **Ausência de registro** ou número que não aparece na base oficial.

## Perguntas frequentes

### O médico é obrigado a me dizer que usou IA?

A Resolução CFM 2.454/2026 diz que o paciente tem o direito de ser informado, de forma clara e acessível, quando a IA for usada como apoio relevante no cuidado, no diagnóstico ou no tratamento (art. 5º, §1º). Se não foi dito, você pode perguntar.

### A IA pode me dar o diagnóstico sozinha?

Pela mesma resolução, o médico não pode delegar à IA a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou decisões terapêuticas sem mediação humana (art. 5º, §2º), e continua integralmente responsável pelos atos médicos (art. 7º).

### Aprovada pela FDA quer dizer que posso usar no Brasil?

Não automaticamente. A FDA é o regulador dos EUA. No Brasil, o produto precisa estar regularizado na Anvisa. Confira nas bases da Anvisa citadas acima.

### Meus dados de saúde podem ser compartilhados sem eu saber?

A LGPD classifica dado de saúde como sensível e prevê hipóteses específicas para o tratamento (art. 11), entre elas o consentimento específico e destacado. Peça que expliquem finalidade, destino e proteção dos dados. Dúvidas sobre direitos podem ser levadas ao encarregado de dados do serviço.

### Posso recusar uma tecnologia nova?

A resolução do CFM diz que o médico deve respeitar a autonomia do paciente, inclusive quanto à recusa informada do uso de IA (art. 5º, §3º). Para outras tecnologias, converse com o médico sobre alternativas e riscos antes de decidir.

## Fontes

- [Resolução CFM nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026 (uso de IA na medicina), arts. 5º, 6º e 7º](https://observatoriohospitalar.fiocruz.br/sites/default/files/biblioteca/RESOLU%C3%87%C3%83O_2.454.pdf), Conselho Federal de Medicina (Diário Oficial da União, cópia no Observatório Hospitalar da Fiocruz) (2026-02-27)
- [Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 5º, II, e art. 11](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm), Planalto (Presidência da República) (2018-08-14)
- [Medical Device Databases (Devices@FDA, De Novo, MAUDE, PMA e outros)](https://www.fda.gov/medical-devices/device-advice-comprehensive-regulatory-assistance/medical-device-databases), FDA (EUA) (2026-10-25)
- [Lista de dispositivos médicos regularizados](https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/produtosparasaude/lista-de-dispositivos-medicos-regularizados), Anvisa (2026-10-25)
- [Consulta a registro de produtos e serviços](https://www.gov.br/anvisa/pt-br/sistemas/consulta-a-registro), Anvisa (2026-10-25)
- [Know the Science (e subpágina "Natural Doesn't Necessarily Mean Safer or Better")](https://www.nccih.nih.gov/health/know-science), NCCIH / NIH (EUA) (2026-10-25)
