# IA que escreve a anotação da consulta: o que mostram os estudos sobre escribas de IA

> Escribas de IA ouvem a consulta e redigem o rascunho do prontuário. Estudos mostram ganhos modestos de tempo e alívio do cansaço dos médicos, mas também omissões e invenções nas notas. Veja o que o paciente pode perguntar e o que a norma do CFM diz.

- Editoria: Tech Health
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-26T06:35:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/tech-health/ia-que-escreve-a-consulta-escribas-de-ia-evidencias

Escribas de IA, ou "ambient scribes", escutam a conversa entre médico e paciente e geram um **rascunho** da anotação da consulta. Os estudos publicados até agora mostram ganhos reais, mas pequenos e desiguais: um pouco menos de tempo de documentação para alguns médicos, alívio no cansaço e na carga mental, e também notas com omissões e informações inventadas, o que obriga o médico a revisar cada uma. Não se trata de um robô que decide nada: é um redator de rascunho.

## Como funciona

O aparelho ou aplicativo capta o áudio da consulta, transcreve e usa um modelo de linguagem para resumir em formato de prontuário: queixa, exame, conduta. O médico lê, edita e assina. Quem responde pela nota é ele.

## O que mostram os estudos

**Ensaio randomizado na UCLA (NEJM AI, novembro de 2025).** Foram 238 médicos ambulatoriais de 14 especialidades, sorteados para usar uma de duas ferramentas (DAX Copilot, Nabla) ou seguir como de costume, em um único hospital universitário, de 4 de novembro de 2024 a 3 de janeiro de 2025. O tempo gasto dentro da nota caiu 9,5% com uma das ferramentas, com intervalo de confiança de 1,8% a 17,2%. Com a outra, a queda de 1,7% não foi estatisticamente distinta de zero. O uso real foi parcial: o escriba foi acionado em cerca de 30% a 34% das consultas e cerca de 15% dos médicos designados nunca o usaram. Medidas de carga de trabalho e de exaustão melhoraram, mas os autores as tratam como exploratórias. Os próprios autores lembram que o tempo de edição do rascunho não entra na métrica, o que pode superestimar a economia.

**Estudo de qualidade em seis sistemas de saúde (JAMA Network Open, outubro de 2025).** Com 263 médicos e outros profissionais por 30 dias, a proporção com burnout autorrelatado caiu de 51,9% para 38,8%, e o autorrelato de tempo gasto documentando fora do expediente também melhorou. Mas é um estudo antes e depois, sem grupo de comparação, com participação voluntária e 60,3% de resposta. Mostra associação, não prova causa.

**Outro estudo, resultado diferente.** Em um grupo médico no Havaí (JMIR Medical Informatics, 2026), os usuários mais frequentes tiveram queda de 21% no tempo diário de notas (13,6 minutos) e de 13% no tempo fora do expediente, mas os autores concluíram que não houve diferença significativa nos sintomas de burnout. Resultados variam por serviço e por quanto o médico usa a ferramenta.

## Erros e "alucinações" nas notas

Um piloto de 2026 (JMIR Medical Informatics) pediu a 31 médicos que avaliassem 356 notas escritas por escriba de IA. Houve omissões em 18% das notas, informações inventadas (alucinações) em 11,5% e inclusões acidentais em 9,3%. A maioria dos erros foi avaliada como leve ou moderada, e 5,3% das notas continham erros avaliados como de risco sério ou iminente se não fossem corrigidos. Segundo o mesmo estudo, 94,7% estavam livres de erros significativos, e 14,9% das notas (143 de 960 com dado de edição) foram assinadas sem nenhuma edição, o que reforça a necessidade de revisão. No ensaio da UCLA, os médicos relataram que imprecisões clinicamente relevantes ocorriam "ocasionalmente", entre os tipos de erro descritos, as omissões foram as mais citadas, e um evento adverso leve foi registrado: a nota não incluía um aconselhamento extenso feito na consulta.

Um comentário publicado no JMIR em 2026 aponta ainda um problema que os estudos mal medem: depois de assinada, a nota é copiada, resumida e codificada em outros sistemas, e um erro pequeno pode se propagar pelo prontuário. A segurança, argumentam os autores, deveria ser medida também depois da assinatura.

## O que o paciente pode esperar no Brasil

Não encontramos estudo brasileiro sobre escribas de IA. O que há é a norma do Conselho Federal de Medicina. A **Resolução CFM nº 2.454/2026**, publicada no Diário Oficial em 27 de fevereiro de 2026, entrou em vigor 180 dias depois. O texto não fala de escribas, mas as regras gerais valem para qualquer IA usada no cuidado, e a aplicação a escribas é leitura da Redação:

- **Informar o paciente:** o art. 5º, § 1º, diz que o paciente tem direito de ser informado, de forma clara e acessível, quando IA for usada como apoio relevante em seu cuidado, diagnóstico ou tratamento. Se um escriba gravar e resumir a consulta, é razoável entender que isso deve ser dito.
- **Recusar:** o § 3º manda respeitar a autonomia do paciente, inclusive a recusa informada do uso de IA.
- **Registrar no prontuário:** o art. 4º, V, exige registrar o uso de IA como apoio à decisão médica.
- **Responsabilidade:** o médico é o responsável final (art. 4º, I, e art. 7º).
- **Dados:** o art. 6º exige zelo com a confidencialidade e que o compartilhamento de dados sensíveis com sistemas de IA ocorra de acordo com as finalidades informadas e só quando estritamente necessário.

Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD. Para entender seus direitos, veja a matéria sobre [quem é dono dos seus dados de saúde](/tech-health/quem-e-dono-dos-seus-dados-de-saude-lgpd-prontuario).

## Perguntas úteis para levar à consulta

Esta lista é geral, não é conselho médico: o áudio é gravado e onde fica guardado? Quem tem acesso e por quanto tempo? Posso pedir que a gravação não seja feita? O médico revisa a nota antes de assinar? Como peço correção se a anotação estiver errada? Há mais sugestões no [guia de perguntas para levar ao médico sobre novas tecnologias de saúde](/tech-health/perguntas-para-levar-ao-medico-sobre-novas-tecnologias-de-saude).

## Perguntas frequentes

### O escriba de IA substitui o médico ou o prontuário?
Não. Ele gera um rascunho que o médico lê, corrige e assina. A Resolução CFM 2.454/2026 diz que a IA deve ser ferramenta de apoio e que o médico é o responsável final pelas decisões.

### Os escribas reduzem mesmo o tempo e o burnout?
Os estudos mostram ganhos, mas modestos e variáveis. No ensaio randomizado da UCLA, a economia de tempo foi pequena e só significativa com uma das duas ferramentas. Um estudo antes e depois mostrou queda no burnout autorrelatado, sem grupo de comparação.

### As notas de IA têm erros?
Sim. Um piloto com 356 notas avaliadas encontrou omissões em 18% e alucinações em 11,5%, a maioria leve ou moderada, e 5,3% com erros de risco sério se não fossem corrigidos. Por isso a revisão do médico é essencial.

### O médico precisa me avisar que usa IA na consulta?
A Resolução CFM 2.454/2026 (art. 5º, § 1º) garante ao paciente o direito de ser informado quando a IA for apoio relevante em seu cuidado. A norma não cita escribas; entender que o aviso vale para eles é leitura nossa.

### Posso recusar a gravação da consulta por IA?
O art. 5º, § 3º, manda respeitar a recusa informada do uso de IA. Se tiver dúvida sobre como sua recusa será tratada naquele serviço, pergunte ao médico ou ao estabelecimento.

### Meus dados da consulta ficam protegidos?
A resolução exige confidencialidade e segurança dos dados de saúde usados por IA, e a LGPD trata esses dados como sensíveis. Como cada serviço armazena as gravações varia, e as fontes lidas não detalham isso; pergunte.

## Fontes

- [Ambient AI Scribes in Clinical Practice: A Randomized Trial (Lukac et al.)](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12768499/), NEJM AI, 2025;2(12) (texto lido no PubMed Central, PMC12768499) (2025-11-26)
- [Use of Ambient AI Scribes to Reduce Administrative Burden and Professional Burnout (Olson et al.)](https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2025.34976), JAMA Network Open (resumo lido via Europe PMC, PMID 41037268) (2025-10-01)
- [Quality of Clinical Notes Created by Ambient Listening Generative AI: Pragmatic Prospective Pilot Study](https://doi.org/10.2196/86474), JMIR Medical Informatics (resumo lido via Europe PMC, PMID 41996389) (2026-01-01)
- [Ambient AI Scribe Implementation in an Ambulatory Setting in a Single Medical Group: Prospective Study](https://doi.org/10.2196/84104), JMIR Medical Informatics (resumo lido via Europe PMC, PMID 42337645) (2026-01-01)
- [AI Scribe Safety: Measuring What Happens After Signing (Coiera e Fraile-Navarro)](https://doi.org/10.2196/103162), JMIR (comentário; resumo lido via Europe PMC, PMID 42574720) (2026-01-01)
- [Resolução CFM nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026: normatiza o uso da inteligência artificial na medicina](https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cfm-n-2.454-de-11-de-fevereiro-de-2026-689247948), Diário Oficial da União, Seção 1, p. 158 (cópia em PDF lida) (2026-02-27)
