# IA está mudando a radiologia: o que isso significa para o seu exame?

> A radiologia concentra a maior parte dos dispositivos de IA autorizados pela FDA. Na mamografia, o maior ensaio já publicado sugere que a IA pode funcionar como segunda leitora, sem substituir o radiologista.

- Editoria: Tech Health
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-25T10:05:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/tech-health/ia-na-radiologia-o-que-muda-para-o-seu-exame

Na prática, para o seu exame de imagem, o mais provável é que um programa de computador ajude o radiologista a olhar a imagem e a organizar o trabalho, enquanto o laudo continua sendo do médico. A radiologia é a área da medicina com mais dispositivos de inteligência artificial (IA) autorizados pela FDA, o regulador dos Estados Unidos. Na mamografia, o maior ensaio publicado até agora, o sueco MASAI, indica que a IA pode atuar como segunda leitora sem aumentar os falsos alarmes. Não é um diagnóstico automático.

## O que é IA em radiologia

São programas treinados com grande quantidade de imagens para reconhecer padrões: uma mancha suspeita no pulmão, uma calcificação na mama, um sinal de AVC na tomografia. Eles podem destacar áreas na imagem, medir estruturas, dar uma pontuação de risco ou ajudar a decidir a ordem em que os exames são lidos, por exemplo colocando os mais urgentes na frente.

## O tamanho dessa mudança, segundo a FDA

A FDA mantém uma lista pública de dispositivos médicos com IA autorizados para venda nos EUA. Na versão lida pela PushTech (conteúdo atualizado em 4 de setembro de 2026), a página não traz o total. Contando as linhas da tabela, a Redação chegou a 1.614 dispositivos, dos quais 1.230 (cerca de 76%) são de radiologia. É uma contagem nossa, com pequena margem de erro. A própria FDA avisa que a lista não é exaustiva.

Estar na lista significa que a FDA analisou o dispositivo para um uso específico. Não significa que ele esteja autorizado no Brasil nem que acerte em qualquer paciente ou aparelho.

## Mamografia: o caso mais estudado

O MASAI (Mammography Screening with Artificial Intelligence) é um ensaio randomizado de rastreamento na Suécia com 105.934 mulheres. Em um grupo, a IA classificava o risco de cada mamografia: exames de baixo risco eram lidos por um radiologista, e os de alto risco, por dois, com o apoio da IA. No outro grupo, todos os exames eram lidos por dois radiologistas, sem IA. O ensaio foi financiado por entidades públicas suecas, segundo os resumos publicados.

Resultados (revistas *The Lancet Digital Health*, 2025, e *The Lancet*, 2026):

- **Mais cânceres detectados:** 6,4 por mil mulheres no grupo com IA contra 5,0 por mil no grupo sem IA.
- **Falsos positivos iguais:** a proporção de alarmes falsos não foi diferente entre os grupos.
- **Menos trabalho para os médicos:** 61.248 leituras contra 109.692, uma redução de 44,2%.
- **Câncer de intervalo (aquele que aparece entre dois rastreamentos) não foi pior:** 1,55 por mil com IA contra 1,76 por mil sem IA, o que atende ao critério de não inferioridade definido pelos pesquisadores.
- **Sensibilidade:** 80,5% com IA contra 73,8% sem IA; a especificidade foi de 98,5% nos dois grupos.

Um cuidado ao ler isso: parte dos cânceres a mais era do tipo in situ (restritos ao local de origem): 68 contra 45, e cerca de metade dos casos in situ adicionais era de alto grau, segundo os autores. Os dados são de um programa de rastreamento específico, na Suécia, com um sistema de IA específico. Os resultados não podem ser aplicados automaticamente a outros países, equipamentos ou programas, nem mostram, por si sós, menos mortes por câncer de mama. Os autores sugerem que a abordagem pode ser considerada para implantação clínica, o que é diferente de dizer que já seja prática consolidada.

## IA ajuda ou substitui o radiologista?

Ajuda. Em todos os estudos acima, a IA trabalhou junto com médicos: nem o MASAI nem o cenário atual da regulação preveem laudo sem radiologista. No Brasil, a norma é explícita (veja abaixo).

Uma boa forma de pensar é a IA como uma "segunda leitora": ela pode chamar a atenção para algo que o olho cansado perderia e agilizar casos urgentes, mas um profissional examina o resultado, considera seu histórico e assina o laudo.

## Falsos positivos e falsos negativos

- **Falso positivo:** a IA marca algo que não é doença. Pode levar a mais exames e preocupação. No MASAI, a taxa de falsos positivos ficou em 1,5% nos dois grupos na análise de segurança de 2023.
- **Falso negativo:** a doença existe e a IA (e o médico) não a percebem. Nenhum método elimina isso: mesmo com IA, houve câncer de intervalo no estudo.
- **Excesso de confiança:** um risco conhecido é o médico se apoiar demais na marcação do software. Por isso a supervisão crítica é parte do uso correto.

## O que isso significa para o Brasil

Em 11 de fevereiro de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução nº 2.454, sobre IA na medicina, com vigência 180 dias após a publicação no Diário Oficial (27 de fevereiro de 2026), ou seja, a partir do fim de agosto de 2026, pela conta da Redação. Pontos do texto que importam ao paciente:

- A decisão sobre diagnóstico, prognóstico, prescrição ou qualquer ato médico cabe sempre ao médico, que pode acolher ou rejeitar a sugestão da IA (art. 18).
- A IA não pode restringir ou substituir a autoridade final do médico.
- O paciente tem o direito de ser informado, de forma clara, quando a IA é usada como apoio relevante em seu cuidado, diagnóstico ou tratamento (art. 5º).
- É vedado ao médico delegar à IA a comunicação de diagnósticos sem mediação humana.
- As soluções de IA são classificadas por risco (baixo, médio, alto ou inaceitável).

O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) declarou apoio ao conteúdo da resolução em nota de 2 de março de 2026. Segundo a nota, o CBR pretende discutir uma nota padronizada a ser incluída no laudo quando houver uso relevante de IA. O CBR também estima que mais de 70% das ferramentas de IA com uso clínico aprovado pela Anvisa no Brasil são da área de imagem; é uma estimativa da entidade, que não verificamos no banco da Anvisa.

Na prática, você pode perguntar ao serviço de imagem se houve uso de IA no seu exame e quem assinou o laudo. Para saber mais sobre o tema em geral, veja a seção [Tech Health](/tech-health) e a matéria [IA pode detectar doenças antes dos sintomas?](/tech-health/ia-pode-detectar-doencas-antes-dos-sintomas).

## O que muda para o paciente

- O laudo continua tendo um médico responsável.
- Alguns exames podem ser lidos mais rápido, e casos suspeitos podem ser priorizados.
- A IA pode ser usada sem que você perceba; pela norma do CFM, você tem direito a ser informado quando o uso for relevante.
- Nada disso muda a necessidade de fazer os exames recomendados para sua idade e histórico.

## Perguntas frequentes

### A IA já lê meu exame sozinha?
No Brasil, a norma do CFM diz que a decisão final é sempre do médico. A IA é usada como apoio, e o laudo tem um médico responsável.

### A IA em mamografia detecta mais câncer?
No ensaio sueco MASAI, com 105.934 mulheres, o grupo com IA teve 6,4 cânceres detectados por mil contra 5,0 por mil no grupo sem IA, sem aumento de falsos positivos. O resultado vale para aquele programa e aquele sistema, e não prova menos mortes.

### Posso recusar o uso de IA no meu exame?
Não encontramos regra específica sobre recusa. A resolução do CFM garante o direito de ser informado sobre o uso relevante da IA. Converse com o serviço de imagem sobre como ela é usada.

### O que a FDA autorizou em radiologia?
A FDA lista mais de mil dispositivos de radiologia com IA; na contagem da Redação, 1.230 de 1.614 itens da lista (dados de setembro de 2026). Cada um foi autorizado para um uso específico, e a autorização não vale automaticamente no Brasil.

### A IA pode errar?
Sim. Pode marcar o que não é doença e deixar passar o que é. Por isso a revisão do radiologista é parte do processo.

### Devo fazer exame de imagem só porque há IA?
Não. Siga a recomendação do seu médico para rastreamento e investigue sintomas. A IA é uma ferramenta de apoio, não um motivo para pedir ou dispensar exames.

## Fontes

- [Artificial Intelligence-Enabled Medical Devices (lista de dispositivos)](https://www.fda.gov/medical-devices/artificial-intelligence-enabled-medical-devices/list-artificial-intelligence-enabled-medical-devices), FDA (EUA) (2026-09-04)
- [Screening performance and characteristics of breast cancer detected in the Mammography Screening with Artificial Intelligence trial (MASAI)](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39904652/), The Lancet Digital Health (PubMed 39904652) (2025-02-03)
- [Interval cancer, sensitivity, and specificity comparing AI-supported mammography screening with standard double reading without AI in the MASAI study](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41620232/), The Lancet (PubMed 41620232) (2026-01-31)
- [Artificial intelligence-supported screen reading versus standard double reading in the Mammography Screening with Artificial Intelligence trial (MASAI): a clinical safety analysis](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37541274/), The Lancet Oncology (PubMed 37541274) (2023-08-01)
- [Resolução CFM nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026 (uso de IA na medicina)](https://observatoriohospitalar.fiocruz.br/sites/default/files/biblioteca/RESOLU%C3%87%C3%83O_2.454.pdf), Conselho Federal de Medicina (texto no Diário Oficial da União, cópia no Observatório Hospitalar da Fiocruz) (2026-02-27)
- [Nota oficial CBR: Resolução CFM nº 2.454/2026, Normatização do Uso da Inteligência Artificial na Medicina](https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Normatizacao-do-Uso-da-Inteligencia-Artificial-na-Medicina.pdf), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) (2026-03-02)
