Pagar com o celular encostado na maquininha ficou menos limitado. Desde 1º de outubro, o Pix por aproximação não tem mais o teto fixo de R$ 500 por transação. A partir de agora, o valor máximo é o limite que vale para a sua conta no Pix, e você pode pedir ao banco, pelo próprio app, para subir ou baixar esse limite.

A mudança foi definida pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada pelo Banco Central em junho. Os bancos tiveram até outubro para se adaptar.

O que mudou na prática

O Pix por aproximação existe desde fevereiro de 2025. Ele usa o NFC (sigla em inglês para comunicação por campo de proximidade), o chip que permite trocar dados com a maquininha a poucos centímetros de distância. Até setembro, cada pagamento por esse meio estava travado em R$ 500, mesmo que o cliente tivesse um limite maior para Pix por chave ou QR Code.

Com a nova regra, o pagamento por aproximação passa a ser tratado como as outras formas de Pix. Segundo a Agência Brasil, não existe um novo teto único: o que vale é o limite configurado na conta e as regras de segurança de cada instituição. Uma compra de R$ 600 ou de R$ 1 mil passa, desde que o limite da conta permita.

A mudança também alcança a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), recurso do Open Finance que liga a conta bancária a carteiras digitais, como a Carteira do Google e a Samsung Wallet. Nesse modelo, o pagamento sai pela carteira do celular sem que você precise abrir o app do banco. A JSR também tinha o limite de R$ 500 por operação.

Reportagem da CNN Brasil sobre o fim do teto de R$ 500 no Pix por aproximação.
Vídeo: CNN Brasil

O que o banco precisa oferecer

Pelas regras descritas pela Agência Brasil, as instituições devem:

  • ter, no aplicativo, uma ferramenta para o cliente pedir aumento ou redução de limite;
  • fazer esse ajuste com as etapas de autenticação que o próprio banco exigir;
  • manter mecanismos de proteção contra movimentações suspeitas, mesmo sem o teto antigo.

Segundo o Banco Central, os objetivos foram padronizar as diferentes formas de usar o Pix e dar ao usuário mais autonomia para definir os próprios limites de segurança, informou o Finsiders.

Ainda é um uso pequeno

O recurso ainda é pequeno. Em agosto de 2026, o Pix movimentou mais de R$ 3,73 trilhões em cerca de 8,11 bilhões de transações. Desse total, aproximadamente 2 milhões de operações foram feitas por aproximação, segundo a Agência Brasil. Em janeiro, tinham sido cerca de 1,06 milhão. O volume dobrou, mas a fatia segue bem abaixo de 1% do total.

Uma das razões é que, quando a regra foi publicada em junho, a modalidade não funcionava no iPhone. O Tecnoblog explicou na época que a Apple não havia aderido às condições técnicas do Banco Central. O Cade, órgão de defesa da concorrência, investiga a empresa desde abril de 2025 por causa do acesso ao chip NFC. Em junho, a Crusoé noticiou um acordo entre a Apple e o Cade com novas condições de acesso ao NFC, que seriam aplicadas aos poucos, mas o texto não trouxe detalhes nem cronograma. A PushTech não encontrou fonte oficial que confirme se o Pix por aproximação já está disponível no iPhone.

Outras mudanças no Pix

O fim do teto faz parte de um pacote maior de ajustes. A Resolução BCB nº 587, publicada em 18 de setembro, permite marcar no DICT (o diretório que liga chaves Pix a contas) os CPFs e CNPJs sob fundada suspeita de fraude. A mesma resolução libera o Pix Automático em contas-salário a partir de 1º de julho de 2027 e cria regras para a cobrança híbrida, que junta boleto e QR Code Pix no mesmo documento, a partir de 1º de fevereiro de 2027.

No próximo dia 26 de outubro, segundo o Banco Central, entra em vigor o rastreamento em camadas do MED 2.0, o Mecanismo Especial de Devolução usado em casos de golpe. A partir daí, as notificações de infração enviadas entre bancos vão indicar em que etapa do caminho do dinheiro está a conta suspeita. O BC diz que isso não muda nada para o usuário e lembra que a devolução não é garantida.

Em setembro, o sistema passou de 1 bilhão de chaves cadastradas (1,008 bilhão), segundo o BC.

Explicação oficial do Banco Central sobre como o Pix por aproximação funciona; gravado antes de outubro de 2026, quando ainda valia o teto de R$ 500.
Vídeo: Banco Central do Brasil

Por que importa

Um teto fixo igual para todos também funcionava como uma trava contra prejuízos maiores. Agora essa trava depende da configuração de cada cliente e das proteções de cada banco. Para quem usa o Pix por aproximação no Android, vale abrir o app do banco, conferir qual limite está ativo e decidir se o valor faz sentido para o seu dia a dia. A própria regra garante que você pode baixar o limite pelo aplicativo.

Fontes