# Lula promete IA brasileira, data centers e regular plataformas: o que disse no discurso e o que já existe

> No primeiro discurso após a reeleição, em 25 de outubro, Lula falou em criar uma inteligência artificial brasileira, atrair data centers e regular plataformas. A fala não trouxe valores nem prazos. Veja o que já está em andamento e que caminhos outros países testaram.

- Editoria: Radar
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-26T08:30:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/radar/lula-reeleito-promete-ia-brasileira-data-centers-e-regular-plataformas

Na noite de domingo (25), em São Paulo, no primeiro discurso depois de reeleito, o presidente Lula falou em criar uma inteligência artificial brasileira, em atrair data centers com energia renovável e em regular as plataformas digitais. As coberturas concordam nos pontos centrais e também em um limite: a fala não trouxe valores, prazos nem órgãos responsáveis. Este texto separa o que foi dito do que já existe em lei e em programas, e mostra caminhos que outros países testaram, com os custos e as dúvidas de cada um.

## O que Lula disse

Pelas coberturas lidas, os temas de tecnologia foram estes:

- **IA brasileira.** Segundo A Crítica e o NeoFeed, ele disse não querer depender de inteligência artificial de outros países e declarou: "quero criar uma [IA] brasileira". O WSCOM resume a fala como investimento em tecnologia nacional e na formação de profissionais para áreas estratégicas. O NeoFeed liga isso a mais ensino de matemática e engenharia.
- **Data centers.** Para A Crítica, ele disse que o país deve usar a energia renovável para atrair os data centers de que precisa. Em trecho citado pelo veículo: "essa gente vai ter que deixar uma parte do data center para informações brasileiras". O título da matéria fala em deixar "dados no país", mais amplo do que a citação, que se refere a "uma parte" do data center.
- **Economia digital.** Segundo o NeoFeed, ele pediu "muito investimento na economia digital, na economia verde e na economia criativa".
- **Plataformas.** O NeoFeed reproduz: "a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais que nós vamos ter que regular", e que o crime no mundo digital "tem que ser tratado que nem na vida real". A Tribuna de Jundiaí registra a promessa de regras mais rígidas para plataformas estrangeiras e observa que a atuação coordenada de plataformas para favorecer um candidato "não foi demonstrada no discurso". O presidente não citou empresas pelo nome.
- **Comunicação digital.** A Tribuna de Jundiaí e o WSCOM relatam que ele pretende usar mais os canais digitais para falar direto com a população e responder a informações que considera distorcidas. O NeoFeed diz que ele sinalizou uma estratégia mais ativa a partir de 2027, sem detalhá-la.

## O que ficou sem resposta

Nenhuma cobertura traz orçamento para uma IA nacional, nome de instituição responsável, cronograma ou regra concreta de regulação. Também não está claro se "IA brasileira" significa um modelo de linguagem próprio, ferramentas de governo, compra de capacidade de computação ou outra coisa. Falas de discurso não são decisões: o que vale é o que virar projeto de lei, decreto ou orçamento.

## O que já existe hoje

- **Plano Brasileiro de IA (PBIA).** O documento do MCTI e do CGEE prevê R$ 23,03 bilhões entre 2024 e 2028, dos quais R$ 13,79 bilhões em inovação empresarial e R$ 5,79 bilhões em infraestrutura. São valores previstos, não executados.
- **Redata.** O regime especial para data centers foi sancionado em 15 de setembro de 2026, segundo o Ministério da Fazenda. Dá cinco anos de tributos suspensos na compra de equipamentos e exige energia renovável ou de baixa emissão, uso eficiente de água, ao menos 10% da oferta no mercado interno, investimento de 2% do valor comprado com o benefício e capacidade reservada para instituições nacionais. A Fazenda diz que cerca de 60% dos dados dos brasileiros estão hoje armazenados fora do país. Leia o [resumo do Redata](/radar/redata-regime-especial-data-centers-sancionado).
- **Plataformas.** Em 26 de junho de 2025, o STF decidiu, por 8 votos a 3, que o artigo 19 do Marco Civil é parcialmente inconstitucional e ampliou a responsabilidade das plataformas, com representante legal no país, canais de denúncia e relatórios de transparência. A cobertura da Teletime registra prazo de 60 dias para adequação depois dos embargos de 2026. Um projeto de regulação de plataformas e concorrência, enviado ao Congresso em setembro de 2025, segue com o relator e criaria uma área no Cade, segundo o NeoFeed.
- **Marco legal da IA.** O PL 2338 ainda não foi votado na Câmara: veja a [situação do projeto](/radar/marco-legal-ia-camara-sem-parecer-pl-2338).
- **Crianças e adolescentes.** O [ECA Digital](/por-tras/eca-digital-o-que-mudou-pais-jogos-redes-sociais-2027) já define regras para plataformas voltadas a esse público.

## Ideias e possibilidades: o que outros países testaram

As opções abaixo são exemplos, não previsões do que o governo fará.

**1. Um modelo de IA aberto e financiado com recursos públicos.** A Suíça lançou o Apertus em 2 de setembro de 2025, por EPFL, ETH Zurique e o centro nacional de supercomputação (CSCS). Há versões de 8 e 70 bilhões de parâmetros, treinadas com cerca de 15 trilhões de tokens em mais de 1.000 idiomas, e o projeto publicou pesos, documentação e receitas de treino sob licença permissiva. O treino usou mais de 10 milhões de horas de GPU no supercomputador Alps. A lição: dá para ter um modelo público e auditável, mas o custo de computação é alto e um modelo de ponta exige escala. Para o Brasil, as perguntas seriam como o modelo trataria o português e quem o mantém depois do lançamento.

**2. Computação pública, alugada a preço subsidiado.** A Índia aprovou um programa de cerca de ₹ 10.372 crore em cinco anos e, em março de 2026, o ministério informava mais de 38 mil GPUs credenciadas, oferecidas a startups e à academia a valor reduzido. Nessa via, o Estado compra acesso a computação em vez de construir tudo. A ressalva: "credenciada" não é o mesmo que "em uso", e a conta de energia e de chips importados continua existindo. O Redata já prevê reservar capacidade para instituições nacionais, que seria um ponto de partida.

**3. Soberania sobre dados sem fechar o mercado.** Exigir que parte da capacidade atenda dados brasileiros, como Lula sugeriu e o Redata prevê em parte, tem opções diferentes: guardar no país só dados sensíveis ou públicos, criar uma nuvem de governo certificada, ou impor residência de dados a setores específicos. Cada uma muda custo, segurança e a oferta de serviços.

**4. Formação de gente, o gargalo mais difícil.** O Brasil investiu 1,19% do PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2023, segundo o MCTI, contra 3,11% da Alemanha. Mais matemática e engenharia na escola, como mencionado, só aparece em resultado depois de anos, e depende de reter esses profissionais no país.

**5. Regras para plataformas com contrapeso.** O desenho mais debatido combina dever de cuidado, transparência e representante legal (o que o STF já determinou) com defesa da liberdade de expressão e mecanismos de recurso. O ponto de tensão, pela lógica do próprio desenho: quanto mais cedo a plataforma é obrigada a remover, maior o risco de remoção indevida; quanto menos, menor a responsabilização. Quem define o que é conteúdo ilícito, e como se recorre, é o ponto mais sensível.

**6. Comunicação do governo nas redes.** Falar direto com a população é legítimo, mas depende de regras claras sobre publicidade oficial, uso de dados públicos e transparência de quem financia e coordena campanhas. É um tema para acompanhar quando houver proposta concreta.

## Riscos e custos que a conversa precisa incluir

- **Energia e água.** Data centers de IA consomem muita eletricidade: veja [quanto consomem e o que muda para a rede](/futurismo/data-centers-de-ia-e-energia-quanto-consomem).
- **Chips e equipamentos** em grande parte importados, o que limita a soberania real.
- **Privacidade e governança:** quem acessa os dados guardados no país e sob quais regras.
- **Execução:** programas anunciados nem sempre viram obra e contratação no prazo.

## O que acompanhar

1. A regulamentação do Redata, que ainda depende de normas.
2. O orçamento de 2027 e a execução do PBIA.
3. A tramitação do PL 2338 e do projeto de regulação de plataformas.
4. Se haverá proposta concreta de modelo público de IA, com orçamento e órgão responsável.

## Perguntas frequentes

### O que Lula disse sobre inteligência artificial?

Que não quer depender de IA de outros países e quer criar uma brasileira, ligando a ideia a investimento em tecnologia nacional e à formação de profissionais, segundo as coberturas do discurso de 25 de outubro de 2026. Não houve valores nem prazos.

### O Brasil já tem um plano de IA?

Sim: o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23,03 bilhões de 2024 a 2028. São valores previstos, não executados.

### Data centers estrangeiros serão obrigados a guardar dados no Brasil?

Não há regra nova a partir do discurso. O Redata exige ao menos 10% da oferta no mercado interno e capacidade reservada a instituições nacionais para quem usar o benefício. A fala citada fala em deixar "uma parte do data center" para informações brasileiras.

### As plataformas já podem ser responsabilizadas hoje?

Em parte. Desde a decisão do STF de 26 de junho de 2025, as plataformas respondem em mais situações pelo conteúdo de terceiros, com regras para casos graves e representante legal no país. Uma lei específica ainda depende do Congresso.

### Isso muda algo no meu dia a dia agora?

Não de imediato. São intenções e projetos em andamento. Acompanhe a regulamentação do Redata, as votações no Congresso e o orçamento de 2027.

### Esta matéria apoia ou critica o governo?

Nenhum dos dois. Ela relata o que foi dito, separa o que já existe e apresenta opções com seus custos. Falas de discurso não são decisões de governo.

## Fontes

- [Lula defende inteligência artificial brasileira e diz que empresas de data centers terão de deixar dados no país](https://acritica.net/politica/lula-inteligencia-artificial-brasileira-data-centers-dados-brasil/), A Crítica (Campo Grande) (2026-10-26)
- [Reeleito, Lula promete embate com big techs, acena para empresários e mira exército digital no governo](https://neofeed.com.br/poder/reeleito-lula-promete-embate-com-big-techs-acena-para-empresarios-e-mira-exercito-digital-no-governo/), NeoFeed (2026-10-26)
- [Após reeleição, Lula promete governar para todos e regulamentar plataformas digitais](https://tribunadejundiai.com.br/politica/eleicoes-2026/lula-reeleicao-discurso-plataformas-digitais/), Tribuna de Jundiaí (2026-10-26)
- [Lula destaca educação, inteligência artificial, SUS e comunicação digital em 1º pronunciamento após reeleição](https://wscom.com.br/destaque/destaque-em-alta/2026/10/25/lula-destaca-educacao-inteligencia-artificial-sus-e-comunicacao-digital-em-1o-pronunciamento-apos-reeleicao/), WSCOM (2026-10-25)
- [Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter é sancionado](https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/regime-especial-de-tributacao-para-servicos-de-datacenter-e-sancionado), Ministério da Fazenda (2026-09-16)
- [Plano Brasileiro de Inteligência Artificial: IA para o bem de todos](https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/transformacaodigital/plano-brasileiro-de-inteligencia-artificial-pbia-_vf.pdf), MCTI e CGEE (2024-07-30)
- [Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025](https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/indicadores/paginas/publicacoes-e-metodologia/publicacoes/arquivos/indicadores_cti_2025_d.pdf), MCTI (2025)
- [Apertus: a fully open, transparent, multilingual language model](https://ai.epfl.ch/apertus-a-fully-open-transparent-multilingual-language-model), EPFL (2025-09-02)
- [IndiaAI Mission expands AI ecosystem with affordable compute and startup support](https://www.digitalindia.gov.in/press_release/indiaai-mission-expands-ai-ecosystem-with-affordable-compute-and-startup-support/), Digital India (Ministério de Eletrônica e TI da Índia) (2026-03-25)
- [STF muda regime de responsabilização das plataformas](https://www.machadomeyer.com.br/pt/inteligencia-juridica/publicacoes-ij/direito-digital/stf-muda-regime-de-responsabilizacao-das-plataformas), Machado Meyer Advogados (2025-06-27)
