# Como funcionam as urnas eletrônicas brasileiras e por que fraudar a votação em escala é tão difícil

> A urna não tem internet, roda só software assinado e lacrado, e cada seção imprime um boletim público que qualquer um pode conferir. Veja a cadeia de controles, os testes de segurança e o que o sistema não faz.

- Editoria: Por Trás
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-23T08:10:00-03:00
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Neste domingo (25), brasileiros votam no segundo turno para presidente e governador, e a urna eletrônica volta ao centro da conversa. O que dá para dizer com base nos documentos públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em observadores externos é mais específico do que "é seguro" ou "não é": a urna é um computador de uso único, isolado de redes, cujo resultado pode ser conferido por vários caminhos independentes.

## O que é a urna

A urna brasileira é um equipamento de votação eletrônica de registro direto: o eleitor digita o número, confere a tela e confirma. Segundo o TSE, ela não tem hardware de rede, nem com fio nem sem fio, e roda um Linux preparado pela Justiça Eleitoral sem programas de acesso remoto. O único cabo é o de energia, e a bateria interna mantém o equipamento ligado se a luz faltar.

Os votos são gravados no Registro Digital do Voto (RDV), em ordem embaralhada, para que a sequência de gravação não revele quem votou em quem. Os dados são protegidos por criptografia e assinatura digital.

## A cadeia de segurança antes da eleição

A proteção não começa no domingo. O TSE descreve um ciclo com etapas verificáveis por quem não é da Justiça Eleitoral:

- **Software assinado e lacrado.** Os programas são compilados, assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública em Brasília, e só então distribuídos aos tribunais regionais. A urna executa apenas o sistema assinado.
- **Lacres físicos.** Os lacres das urnas são produzidos pela Casa da Moeda do Brasil, numerados em sequência, e evidenciam a violação.
- **Fiscalização.** Partidos e outras entidades autorizadas pelo TSE podem acompanhar a preparação e as auditorias, dentro das regras da Justiça Eleitoral.
- **Preparação distribuída.** As urnas só são levadas aos locais de votação na véspera, e como os sistemas são programados previamente, não podem ser usadas antes do dia.

## No dia da votação

Ao ser ligada pela manhã, a urna emite a **zerésima**, documento que comprova que todos os candidatos estão cadastrados e que nenhum tem voto. Ao fim da votação, imprime o **Boletim de Urna (BU)**, com o total de votos daquela seção, em várias vias, uma delas afixada na própria seção. O BU tem QR Code, e qualquer pessoa pode comparar o papel afixado com o resultado divulgado depois.

Para a apuração, a urna não "manda" nada pela internet. A mídia com o resultado é retirada e levada a um computador do cartório eleitoral, e a transmissão ao TSE usa canal criptografado. O TSE confere se o resultado foi assinado com a chave daquela urna específica, e os BUs são publicados para comparação com os impressos.

Há ainda o **Teste de Integridade**, feito em todas as eleições desde 2002: urnas sorteadas são votadas em paralelo, com cédulas de papel e câmeras filmando os números digitados, e o resultado eletrônico é comparado com o papel.

## Por que uma fraude em larga escala é tão difícil

Nenhum sistema é infalível, e o TSE não diz isso. A questão prática é o que um ataque precisaria vencer ao mesmo tempo:

1. **Isolamento.** Sem hardware de rede, não há caminho remoto convencional para alterar votos durante a votação.
2. **Software controlado.** A urna só roda o que foi assinado na cerimônia de lacração, e há conferência da integridade antes de a votação começar.
3. **Evidência física.** Violar lacres deixa marca visível, em milhares de seções espalhadas pelo país.
4. **Conferência pública.** Cada BU afixado pode ser fotografado e comparado com o resultado divulgado e com o arquivo digital da seção.
5. **Auditoria independente.** O Teste de Integridade compara urna e papel no próprio dia, e partidos e entidades podem auditar.

Mudar uma eleição nacional exigiria alterar equipamentos, software, lacres, boletins e totalização em um grande número de seções, sob a vista de fiscais de partidos e de observadores. Essa combinação é o que torna a fraude em escala improvável, e não uma única barreira.

## O que mostram os testes públicos

Antes de cada eleição geral, o TSE abre os sistemas a um **Teste Público de Segurança**, em que especialistas externos tentam violar a integridade ou o sigilo do voto. A edição de 2025 foi realizada de 1º a 5 de dezembro, na sede do TSE, em Brasília. Foram apresentados 109 planos de ataque, dos quais 38 foram aprovados. Segundo o TSE, 29 foram executados e seis tiveram achados considerados mitigáveis. As comissões concluíram que nenhum deles representava risco efetivo à integridade, ao sigilo do voto ou ao resultado das eleições, e os sistemas testados são os que serão usados em 2026.

Circularam postagens dizendo que hackers "invadiram as urnas" em 35 ataques. A Aos Fatos checou e classificou a afirmação como falsa: foram 29 ataques executados, e nenhum alterou votos ou resultados. O teste, vale lembrar, é um exercício controlado e não uma invasão em condições reais de eleição, e os achados servem justamente para corrigir os sistemas, que depois são reexaminados no Teste de Confirmação.

## O que dizem observadores independentes

- **Carter Center.** Em 2022, a organização enviou uma missão de especialistas a convite do TSE, com escopo limitado: avaliou a tecnologia de votação, a desinformação sobre ela e o quadro legal, e disse que não faria uma avaliação do processo eleitoral como um todo. Segundo a PolitiFact, a equipe encontrou procedimentos de auditoria extensos e a conselheira da entidade afirmou desconhecer evidência de fraude.
- **OEA.** A missão da Organização dos Estados Americanos registrou, no relatório preliminar do segundo turno de 2022, que a urna comprovou eficácia, segundo a cobertura do BNews. A missão também ressalvou que a biometria foi um dos fatores de atraso em locais de votação.

Esses documentos reconhecem controles, mas não dizem que não existam limites.

## Os limites do sistema

- **Não há comprovante impresso para o eleitor.** A urna usada hoje não emite recibo individual do voto. O TSE defende que o voto impresso reintroduziria intervenção humana e riscos de transporte, armazenamento e custódia dos papéis. Quem discorda argumenta que o recibo permitiria uma conferência independente do software. Nesse modelo, a confiança recai sobre o software, os testes e as auditorias, e por isso a transparência dos processos importa.
- **Boa parte da prova é documental e institucional.** A conferência por BU e RDV depende de que fiscais e entidades de fato examinem os documentos.
- **Segurança eleitoral não é só tecnologia.** Envolve governança, fiscalização, comunicação pública e combate à desinformação.

## Como conferir você mesmo

Na saída da seção, você pode fotografar o BU afixado e, depois, comparar com os dados publicados pelo TSE. O BU tem QR Code que o aplicativo "Boletim na Mão", do TSE, consegue ler.

## Perguntas frequentes

### A urna eletrônica está conectada à internet?
Não. Segundo o TSE, ela não tem hardware de rede, nem com fio nem sem fio. O resultado é levado ao cartório em uma mídia e transmitido por canal criptografado a partir do computador do cartório, e não pela urna.

### É possível saber em quem eu votei?
Os votos são gravados em ordem embaralhada no RDV, justamente para impedir que a sequência de gravação revele o voto de alguém.

### O que é o boletim de urna?
É o documento impresso ao fim da votação com os totais da seção. Uma via fica afixada no local, e os BUs são publicados para comparação com o resultado oficial.

### O Teste Público de Segurança provou que a urna pode ser invadida?
Não. Em 2025, segundo o TSE, 29 planos foram executados, seis tiveram achados mitigáveis e nenhum representou risco efetivo à integridade, ao sigilo ou ao resultado. A afirmação de que as urnas foram "invadidas" em 35 ataques foi classificada como falsa pela Aos Fatos.

### Por que a urna não imprime um comprovante para o eleitor?
O TSE argumenta que o voto impresso criaria riscos de transporte, armazenamento e custódia. A ausência do comprovante é uma das principais críticas ao modelo, e o sistema se apoia em auditorias e transparência no lugar do recibo.

## Fontes

- [Você sabia? A urna eletrônica não fica ligada a nenhum dispositivo da internet](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2020/Fevereiro/voce-sabia-a-urna-eletronica-nao-fica-ligada-a-nenhum-dispositivo-da-internet), Tribunal Superior Eleitoral
- [Por que a urna eletrônica é segura](https://www.tse.jus.br/institucional/escola-judiciaria-eleitoral/publicacoes/revistas-da-eje/artigos/revista-eletronica-eje-n.-6-ano-4/por-que-a-urna-eletronica-e-segura), Revista Eletrônica da Escola Judiciária Eleitoral (TSE)
- [Casa da Moeda do Brasil é responsável pela produção dos lacres de segurança das urnas eletrônicas](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Agosto/casa-da-moeda-do-brasil-e-responsavel-pela-producao-dos-lacres-de-seguranca-das-urnas-eletronicas), Tribunal Superior Eleitoral
- [Teste de Integridade garante segurança do processo eletrônico de votação](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Setembro/teste-de-integridade-garante-seguranca-do-processo-eletronico-de-votacao), Tribunal Superior Eleitoral
- [Você já ouviu falar do Boletim de Urna, mas sabe o que ele é?](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Outubro/voce-ja-ouviu-falar-do-boletim-de-urna-mas-sabe-o-que-ele-e-tire-suas-duvidas), Tribunal Superior Eleitoral
- [Faltam 7 dias: veja qual é o caminho do voto depois de encerrada a votação](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Setembro/faltam-7-dias-veja-qual-e-o-caminho-do-voto-depois-de-encerrada-a-votacao), Tribunal Superior Eleitoral
- [Teste da Urna 2025 tem 38 planos aprovados após fase de recursos](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2025/Novembro/teste-da-urna-2025-tem-38-planos-aprovados-apos-fase-de-recursos), Tribunal Superior Eleitoral
- [Teste da Urna 2025 confirma segurança dos sistemas eleitorais](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2025/Dezembro/teste-da-urna-2025-confirma-seguranca-dos-sistemas-eleitorais), Tribunal Superior Eleitoral
- [Hackers invadiram urnas eletrônicas em teste de segurança? Não, é falso](https://www.aosfatos.org/noticias/hackers-urnas-eletronicas-teste-seguranca/), Aos Fatos
- [Carter Center Brazil Election Expert Mission 2022](https://www.cartercenter.org/news/brazil-100522/), The Carter Center (2022-10-05)
- [Tucker Carlson's unfounded claim that Brazil's election was rigged](https://www.politifact.com/factchecks/2023/jan/11/tucker-carlson/tucker-carlsons-unfounded-claim-that-brazils-elect/), PolitiFact (2023-01-11)
- [Armazenamento de comprovantes do voto impresso aumentaria risco de fraudes, afirma TSE](https://www.folhape.com.br/politica/armazenamento-de-comprovantes-do-voto-impresso-aumentaria-risco-de/187369/), Folha de Pernambuco
- [Relatório da OEA diz que urna eletrônica comprovou eficácia durante segundo turno](https://www.bnews.com.br/noticias/eleicoes-2022/relatorio-da-oea-diz-que-urna-eletronica-comprovou-eficacia-durante-segundo-turno.html), BNews
