Ainda não é possível comprar passagem num táxi voador ocidental. Em 25 de outubro de 2026, nem a Joby nem a Archer, as duas líderes nos Estados Unidos, haviam recebido da FAA o certificado de tipo, o documento que autoriza um modelo de aeronave a operar comercialmente. As duas fazem testes e demonstrações num programa federal. A Eve, da Embraer, fala em 2028. E a EHang, da China, tem operadoras certificadas, mas ainda aguardava o aval para vender bilhetes ao público segundo a última informação que lemos.

O que é um eVTOL

eVTOL é a sigla em inglês para aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. Pense num helicóptero elétrico com várias hélices, mais silencioso e, em tese, mais barato de operar, pensado para trajetos curtos entre pontos da cidade e aeroportos. Nos Estados Unidos, a FAA chama a categoria de "powered-lift" e publicou em outubro de 2024 uma regra com as primeiras normas de operação e treinamento de pilotos, válida por 10 anos para coletar dados. Essa regra trata de pilotos e operação; cada modelo ainda precisa do seu certificado de tipo.

Onde cada fabricante está

Joby (EUA)

No comunicado de 5 de agosto de 2026, a Joby disse ter o "maior progresso trimestral até agora" no quinto e último estágio do processo de certificação de tipo da FAA. O comunicado não diz que o certificado foi emitido. Segundo a empresa, há cinco aeronaves voando e 12 em produção. A AVweb relata que a Joby planejava voos do programa federal eIPP no Texas a partir de setembro e mirava as primeiras operações com passageiros nesse programa antes do fim de 2026, sem data para o certificado de tipo. Não confirmamos se esses voos com passageiros ocorreram.

Archer (EUA)

O resultado de 10 de agosto de 2026 fala em "esforços de certificação" e não traz data de certificado. A empresa diz ter completado voos pilotados entre cidades e planeja operar "ainda este ano" no programa eIPP. Em julho, um Midnight fez voo de ida e volta entre Salinas e Monterey, na Califórnia, de cerca de 9 minutos por trecho, contra mais de 35 minutos de carro, segundo a própria Archer.

O eIPP (programa de integração de eVTOLs) é uma iniciativa do governo americano para testar operações antes da certificação plena. As fontes que lemos não deixam claro, para este texto, até onde ele permite passageiros; por isso tratamos voos desse programa como testes e demonstrações.

EHang (China)

A EHang tem duas operadoras com certificado de operação desde março de 2025, que fizeram mais de 3 mil voos sem acidentes, segundo a empresa. Mas, nos resultados do primeiro trimestre de 2026 (junho de 2026), a EHang disse que os voos públicos com bilhete ainda não haviam começado e que trabalhava com a autoridade chinesa (CAAC) para cumprir requisitos adicionais de operação e segurança. A empresa prevê treinamento de tripulação só depois da aprovação da CAAC. São informações da própria fabricante.

Eve, da Embraer (Brasil)

A Eve reafirmou em junho de 2026 a meta de certificar seu eVTOL em 2028. O prazo já mudou duas vezes: era 2026, depois 2027. A empresa tinha cerca de US$ 441 milhões em caixa no primeiro trimestre e diz que o dinheiro dura até a certificação. O presidente da Anac, Tiago Faierstein, disse à Reuters que o prazo é "realista" e que os testes da Eve têm sido bem-sucedidos, segundo o Olhar Digital.

O que falta além do certificado

Certificar o avião é só a primeira etapa. Pela análise da Redação, o que pesa para um serviço de verdade é:

  • Operação e pilotos: treinamento, regras de voo, manutenção e seguro.
  • Infraestrutura: locais de pouso e recarga (vertiportos), energia e integração ao espaço aéreo.
  • Ruído e aceitação: o barulho em áreas urbanas é uma questão técnica e política. Não encontramos medições independentes para citar.
  • Custo: não achamos preço de passagem confirmado em fonte primária. Fabricantes falam em custos futuros, e isso é projeção da empresa.

Um dado de contexto: o comunicado da Joby atribui à Blade US$ 36,2 milhões de receita do segundo trimestre. O texto que lemos não explica o que a Blade faz, então não tiramos conclusão sobre quanto da receita vem de táxis voadores.

O que isso significa para o Brasil

O eVTOL brasileiro é da Eve. A ANAC, segundo seu presidente, considera o cronograma da Eve realista. O que não encontramos em fonte aberta por nós é um serviço comercial de táxi voador autorizado no país, nem data para ele. Mesmo após a certificação da aeronave, seriam necessários vertiportos, regras de operação e aceitação urbana. Para rotas como a ponte aérea entre grandes cidades, isso é cenário, não plano.

Fato, projeção e opinião

  • Fato: nenhuma das fabricantes citadas tinha, nas fontes lidas, certificado de tipo da FAA; a EHang tem certificados na China, sem bilhetes públicos até junho.
  • Projeção: as datas de empresas (Eve 2028; Joby e Archer "este ano" para operações no programa federal) são metas, e metas desse setor costumam escorregar, como mostra a própria Eve.
  • Opinião da Redação: é prudente esperar primeiro rotas específicas, de nicho e com preço alto, e não um serviço de massa; qualquer data de "voo comum na sua cidade" hoje seria chute.

Para ver outras apostas em máquinas autônomas, leia O que é physical AI.

Perguntas frequentes

Já existe táxi voador comercial?

Não nos Estados Unidos nem no Brasil, segundo as fontes que lemos. Na China, a EHang tem operadoras certificadas, mas ainda esperava aprovação para vender bilhetes ao público na última informação que conferimos (junho de 2026).

O que é certificado de tipo?

É a aprovação do regulador (como a FAA nos EUA ou a ANAC no Brasil) de que o projeto de um modelo de aeronave atende aos requisitos de segurança. Sem ele, o modelo não opera comercialmente.

Quando o eVTOL da Embraer deve ser certificado?

A Eve fala em 2028, depois de adiar a meta de 2026 para 2027 e depois para 2028. É um objetivo da empresa, que depende dos testes.

Quanto vai custar uma viagem?

Não encontramos preço confirmado em fonte primária. Qualquer valor hoje seria projeção das empresas.

Táxi voador é seguro?

A segurança é justamente o que a certificação avalia, e a categoria ainda é nova. A EHang diz ter feito mais de 3 mil voos sem acidentes, informação da própria empresa.

O ruído vai incomodar?

Ainda não encontramos medições independentes. É uma das questões que reguladores e cidades vão precisar responder.

Fontes