# O que significa ser humano na era da IA? O que os estudos mostram e o que é opinião

> Criatividade, trabalho, aprendizado e relações com chatbots já têm estudos. Eles mostram ganhos e riscos, com limites claros. Esta matéria separa o que é evidência do que é opinião da Redação e propõe cenários para 2035, sem profecia.

- Editoria: Futurismo
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-25T08:45:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/futurismo/o-que-significa-ser-humano-na-era-da-ia

Ninguém sabe ainda o que a IA fará com o que nos define, mas já há estudos sobre efeitos concretos: no que criamos, em como trabalhamos, em como aprendemos e em como nos relacionamos com chatbots. Este texto segue uma regra simples: o que está em estudo aparece como **evidência**, com seus limites; o que é leitura nossa vem marcado como **opinião da Redação**.

## Criatividade: melhora a obra individual, aproxima as obras entre si

Em experimento publicado na *Science Advances* em 2024, 293 escritores criaram microcontos de oito frases, sozinhos ou com uma ou até cinco ideias geradas pelo GPT-4. A IA elevou as notas de novidade e utilidade (cerca de 8% e 9% no grupo com cinco ideias), e quem era menos criativo no teste ganhou mais. Mas as histórias com ajuda de IA ficaram mais parecidas entre si, o que os autores descrevem como possível perda de novidade coletiva.

**Limites:** tarefa curta e restrita, participantes comuns de uma plataforma online (não escritores profissionais), uma só versão de modelo e sem interação livre com a IA. Os resultados não provam o que acontece na arte profissional.

## Trabalho: ganho médio, desigual

Um estudo da NBER acompanhou 5.179 atendentes de suporte ao cliente que receberam um assistente de IA. A produtividade, medida em problemas resolvidos por hora, subiu 14% em média. Entre iniciantes, o ganho foi de 34%; entre experientes, o efeito foi mínimo. Os autores veem indícios de que a ferramenta espalha práticas de quem trabalha melhor.

**Limites:** um único tipo de trabalho e uma só empresa, de modo que não dá para extrapolar para todas as profissões. O texto não mede o que acontece com o emprego no longo prazo. Para cenários de trabalho no Brasil, veja [Brasil 2050](/futurismo/brasil-2050-cenarios-clima-trabalho-energia-tecnologia).

## Aprendizado: sinal de alerta, com evidência pequena

A pré-publicação "Your Brain on ChatGPT" comparou três grupos escrevendo redações: com IA, com buscador e sem ferramenta. Participaram 54 pessoas nas três primeiras sessões e só 18 na quarta. Segundo o resumo, o grupo com IA teve menor conectividade cerebral medida por eletroencefalograma, menor senso de autoria dos textos e dificuldade para citar o que escreveu. Na quarta sessão, quem trocou da IA para escrever sem ferramenta mostrou conectividade reduzida.

**Limites:** amostra pequena, tarefa específica (redação) e estudo ainda sem indicação de revisão por pares nas páginas que lemos. O resultado levanta uma hipótese (depender demais da IA pode reduzir o esforço cognitivo), mas não prova dano duradouro. Para usar IA para estudar com método, veja nossa [comparação de IAs para estudo](/pro/qual-ia-e-melhor-para-estudar-chatgpt-gemini-ou-claude-modos-de-estudo).

## Chatbots, solidão e dependência

Um estudo randomizado de quatro semanas, com 981 pessoas e mais de 300 mil mensagens analisadas, testou formas de conversa (texto, voz neutra, voz envolvente) e tipos de assunto (aberto, não pessoal, pessoal). Segundo o resumo, os grupos sorteados não tiveram diferença significativa nos resultados medidos: solidão, convívio com pessoas, dependência emocional e uso problemático. Já quem usava mais por vontade própria, em qualquer grupo, tinha resultados piores, e mais confiança no chatbot se associou a mais dependência emocional.

**Limites e como ler:** o uso voluntário não é sorteado, então o dado não diz que o chatbot causa solidão. Pode ser que pessoas mais solitárias usem mais. É uma pré-publicação, e lemos só o resumo. **Se você sente que está dependendo de um chatbot, converse com alguém de confiança ou com um profissional de saúde mental.** Este texto não é orientação clínica.

## O que isso tem a ver com "ser humano"?

Os estudos não respondem à pergunta filosófica, mas ajudam a separá-la em partes testáveis:

- **Criar:** a IA pode ajudar cada pessoa e, ao mesmo tempo, aproximar o que todos produzem.
- **Trabalhar:** pode reduzir diferenças de desempenho entre iniciantes e experientes naquele caso estudado.
- **Aprender:** o esforço de pensar importa, e pular essa etapa pode ter custo (hipótese em teste).
- **Relacionar-se:** conversar com máquinas pode complementar ou substituir pessoas; o uso pesado merece atenção.

**Opinião da Redação:** nada disso indica que a IA "torna menos humana" a pessoa por si. O que parece decisivo, pelos estudos, é **como** se usa: como ponto de partida ou como muleta, com ou sem esforço próprio. Essa é uma leitura nossa, que pode estar errada.

## Cenário 2035: três possibilidades, nenhuma previsão

Estes cenários são **construções da Redação**, sem probabilidade atribuída, para ilustrar de que as coisas dependem.

1. **IA como ferramenta de apoio.** Escolas e empresas usam IA com regras claras (por exemplo, esforço próprio antes da ajuda). Ganhos de produtividade vêm com formação e transparência. Depende de políticas educacionais e de regulação.
2. **Dependência e homogeneização.** O uso sem critério empobrece o aprendizado e deixa conteúdos parecidos. Depende de incentivos comerciais por engajamento e da falta de regras.
3. **Desigualdade de acesso.** Quem tem bons recursos e orientação aproveita a IA; quem não tem fica para trás. Depende de acesso à internet, escola e preço. Veja o [retrato digital do Brasil](/por-tras/retrato-digital-brasil-tic-domicilios-2025-28-milhoes-sem-internet).

Qualquer mistura dos três é possível, e há desdobramentos que não conseguimos antecipar.

## Para refletir, sem pressa

- Em que tarefas você quer manter o esforço, porque é ali que aprende?
- Quando a IA ajuda e quando ela decide por você?
- Que regras sua escola, empresa ou família tem sobre uso de IA? Se não há, quem deveria propor?

Para acompanhar o debate regulatório, veja a matéria sobre o [marco legal da IA na Câmara](/radar/marco-legal-ia-camara-sem-parecer-pl-2338).

## Perguntas frequentes

### A IA está nos deixando menos criativos?

O estudo que abrimos mostra o contrário no nível individual (histórias melhores) e um possível efeito coletivo (histórias mais parecidas). É um experimento curto e online, e não vale como veredito.

### Usar IA prejudica o cérebro?

Há um estudo pequeno, ainda pré-publicação, que sugere menor esforço cognitivo e menor senso de autoria ao escrever com IA. Não prova dano permanente.

### Chatbots causam solidão?

O estudo randomizado com 981 pessoas não achou efeito das condições sorteadas. Quem usava mais por conta própria teve resultados piores, o que não prova causa e efeito.

### A IA vai tirar meu emprego?

Os estudos que lemos não respondem isso. O de atendimento ao cliente mostrou ganho médio de 14% de produtividade em um contexto específico, sem medir empregos.

### O que fazer para usar IA sem perder habilidades?

Opinião da Redação: tente primeiro por conta própria, use a IA para revisar ou explicar, e confira o que ela responde. Os estudos citados sugerem que o esforço próprio importa.

### Isso é previsão sobre 2035?

Não. Os três cenários são exercício da Redação, sem probabilidade, para mostrar do que o futuro pode depender.

## Fontes

- [Generative AI enhances individual creativity but reduces the collective diversity of novel content](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11244532/), Science Advances (via PubMed Central), Doshi e Hauser (2024-07-12)
- [Generative AI at Work](https://www.nber.org/papers/w31161), NBER, Brynjolfsson, Li e Raymond
- [Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task](https://arxiv.org/abs/2506.08872), arXiv (pré-publicação) (2025-12-31)
- [How AI and Human Behaviors Shape Psychosocial Effects of Extended Chatbot Use: A Longitudinal Randomized Controlled Study](https://arxiv.org/abs/2503.17473), arXiv (pré-publicação) (2025-10-01)
