# Longevidade: viver mais ou viver melhor?

> Os brasileiros vivem 31 anos a mais do que em 1940, mas viver mais não é o mesmo que viver com saúde. Veja o que os números dizem e em que estágio estão rapamicina, metformina e senolíticos.

- Editoria: Futurismo
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-26T08:03:00-03:00
- URL canônica: https://pushtech.tech/futurismo/longevidade-viver-mais-ou-viver-melhor

Viver mais e viver melhor são metas diferentes. A expectativa de vida do Brasil cresceu muito, mas os dados internacionais indicam que parte dos anos ganhos tem sido vivida com doença. A pesquisa em longevidade tenta atuar justamente nessa diferença, e nenhuma terapia para "retardar o envelhecimento" está aprovada hoje por um regulador para esse fim, segundo as fontes lidas.

## O que os números dizem sobre o Brasil

Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade de 2024 do IBGE:

- A expectativa de vida ao nascer foi de **76,6 anos** (73,3 para homens e 79,9 para mulheres), 2,5 meses a mais que em 2023.
- Em 1940, era de **45,5 anos**: um ganho de 31,1 anos.
- A pandemia derrubou o indicador a 72,8 anos em 2021, e ele se recupera desde 2022.
- Quem chega aos 60 anos espera viver, em média, mais **22,6 anos**, contra 13,2 em 1940.
- De 1.000 pessoas que chegavam aos 60 anos em 2024, 623 completariam 80, contra 213 em 1940.

Expectativa de vida é uma média de uma "tábua" calculada com as taxas de mortalidade de um ano. Não é uma promessa individual, e esconde diferenças grandes de renda, região e sexo.

## Viver mais não é viver melhor: a diferença

A expectativa de vida saudável (HALE, na sigla em inglês) tenta descontar os anos vividos com doença ou incapacidade. Pelos dados da OMS, em 2023 a expectativa de vida global era de **73,3 anos** e a de vida saudável, de **62,8 anos**. A conta simples (73,3 menos 62,8) dá cerca de 10,5 anos, mas essa subtração é cálculo da Redação, e não um número oficial da OMS.

Um estudo de Armin Garmany e Andre Terzic, da Mayo Clinic, publicado em dezembro de 2024 na *JAMA Network Open*, analisou 183 países entre 2000 e 2019. A diferença entre vida longa e vida saudável subiu de 8,5 para 9,6 anos, uma alta de 13%, segundo o resumo, e foi maior nos EUA (12,4 anos). As mulheres tinham, em média, uma diferença 2,4 anos maior que a dos homens. Há uma ressalva importante: os autores explicam que as estimativas de vida saudável dependem de pesos de incapacidade obtidos em pesquisas, que podem ter vieses. Também ficamos sem o valor para o Brasil, que não consta no texto principal.

Em resumo: vivemos mais, mas os anos extras não vêm necessariamente com saúde.

## O que a pesquisa em envelhecimento está testando

O campo parte da ideia de que o envelhecimento é um fator de risco comum para vários males (doenças do coração, câncer, demência). Em vez de tratar uma doença por vez, alguns pesquisadores querem atuar nos mecanismos do envelhecimento. Isso é hipótese em teste, não consenso. Abaixo, o estágio de cada abordagem, com o que as fontes lidas permitem afirmar.

### Rapamicina (estágio: ensaios pequenos)
Em humanos saudáveis, o estudo **PEARL**, publicado na *Aging* em abril de 2025, foi um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de 48 semanas, com 114 participantes de 50 a 85 anos que completaram o protocolo. O desfecho principal (gordura visceral) não mudou de forma significativa. Houve sinais em desfechos secundários (massa magra e dor, só em mulheres no grupo de dose maior), mas com amostra pequena. Os próprios autores listam limitações, entre elas adesão autorrelatada, poucas mulheres e o uso de rapamicina manipulada, que pode ter concentração menor no sangue. Conclusão honesta: dá indícios de segurança em 48 semanas nesse grupo, não prova de que retarde o envelhecimento.

### Metformina e o estudo TAME (estágio: ensaio planejado)
A metformina é um remédio antigo e barato para diabetes. O **TAME** é um estudo planejado para testar se ela retarda o surgimento de doenças ligadas à idade, com a meta de 3.000 participantes de 65 a 79 anos, por seis anos. Segundo a cobertura de abril de 2024, o estudo não tinha financiamento completo (cerca de US$ 5 milhões reservados pelo Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA, contra um custo estimado de US$ 45 milhões a US$ 70 milhões), e os benefícios sugeridos até então vinham de estudos observacionais, que não provam causa. Não confirmamos a situação atual do estudo.

### Terapias senolíticas (estágio: ensaios iniciais em humanos)
Senolíticos são compostos que tentam eliminar "células senescentes", que deixaram de se dividir e liberam substâncias inflamatórias. Um ensaio de fase 2 com 60 mulheres pós-menopausa, comentado pelo Fight Aging!, testou a combinação dasatinibe e quercetina sobre marcadores ósseos. O desfecho primário (um marcador de reabsorção óssea) não diferiu entre grupos em 20 semanas. Isso é pesquisa inicial, e o resultado do estudo não é um motivo para tomar esses compostos ou suplementos por conta própria.

## Limites e questões éticas

Esta seção mistura fatos com reflexão da Redação.

- **Aprovação.** Pelas fontes lidas, não há terapia aprovada por regulador para "tratar o envelhecimento". Segundo a cobertura do TAME, a agência americana FDA não reconhece o envelhecimento como doença.
- **Desigualdade.** Se um dia houver terapias caras, quem terá acesso? Hoje, o ganho de anos já varia muito por renda e região.
- **Hype e venda de produtos.** Clínicas e suplementos de "longevidade" vendem esperança antes da prova. Peça sempre a fonte e o estágio (animal, ensaio pequeno, ensaio grande, aprovado).
- **Foco na saúde, não só na idade.** A distância entre vida longa e vida saudável mostra que o objetivo relevante é reduzir os anos com doença, e não apenas somar anos.

## O que isso significa para o Brasil

O envelhecimento já é realidade nos dados do IBGE: quanto mais gente chega aos 60 e aos 80 anos, mais pesa o cuidado com doenças crônicas e com autonomia. Esse é um tema de SUS, previdência e cuidado, mais do que de pílulas milagrosas. Para outras tendências que mexem com saúde e sociedade, veja [o que significa ser humano na era da IA](/futurismo/o-que-significa-ser-humano-na-era-da-ia) e [vacinas personalizadas contra o câncer](/futurismo/vacinas-personalizadas-contra-cancer-como-funcionam). A matéria [Brasil 2050](/futurismo/brasil-2050-cenarios-clima-trabalho-energia-tecnologia) trata de cenários de longo prazo. Veja também os termos do [glossário do Futurismo](/futurismo/glossario).

## Perguntas frequentes

### Qual é a expectativa de vida do brasileiro?
Segundo o IBGE, 76,6 anos em 2024: 73,3 para homens e 79,9 para mulheres. É uma média estatística, não uma previsão individual.

### O que é expectativa de vida saudável?
É uma estimativa de quantos anos, em média, uma pessoa vive com boa saúde, descontando o tempo com doença ou incapacidade. A OMS estima 62,8 anos para o mundo em 2023, contra 73,3 de expectativa de vida total.

### Existe remédio aprovado para retardar o envelhecimento?
Não, pelas fontes lidas. Rapamicina, metformina e senolíticos estão em pesquisa, em estágios diferentes, e nenhum foi aprovado por regulador para essa finalidade.

### Vale tomar rapamicina ou metformina para viver mais?
Esta matéria não dá conselho médico. Esses são medicamentos com indicações e riscos próprios e só um médico pode avaliar o seu caso. Os estudos citados não provam que retardem o envelhecimento.

### O que é o estudo TAME?
Um ensaio planejado para testar se a metformina retarda doenças da idade em pessoas de 65 a 79 anos. Em abril de 2024, o financiamento ainda era parcial, e não confirmamos a situação atual.

### Esta matéria é um conselho médico?
Não. É informação sobre pesquisa e dados públicos. Decisões sobre medicamentos e hábitos de saúde devem ser tomadas com um profissional de saúde.

## Fontes

- [Tábuas completas de mortalidade para o Brasil, 2024: breve análise da evolução da mortalidade no Brasil](https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3097/tcmb_2024.pdf), IBGE (2025-11-28)
- [Life expectancy and healthy life expectancy (Global Health Estimates)](https://www.who.int/data/gho/data/themes/mortality-and-global-health-estimates/ghe-life-expectancy-and-healthy-life-expectancy), Organização Mundial da Saúde (2026-10-26)
- [Global Healthspan-Lifespan Gaps Among 183 World Health Organization Member States](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11635540/), JAMA Network Open (Garmany e Terzic) (2024-12-11)
- [Influence of rapamycin on safety and healthspan metrics after one year: PEARL trial results](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12074816/), Aging (Albany NY) (2025-04-04)
- [A Cheap Drug May Slow Down Aging. A Study Will Determine If It Works (sobre o estudo TAME)](https://www.wunc.org/2024-04-22/a-cheap-drug-may-slow-down-aging-a-study-will-determine-if-it-works), NPR / WUNC (2024-04-22)
- [Results from a Phase 2 Trial of Senolytic Therapy Dasatinib and Quercetin for Osteoporosis (comentário sobre estudo da Nature Medicine)](https://fightaging.org/archives/2024/07/results-from-a-phase-2-trial-of-senolytic-therapy-dasatinib-and-quercetin-for-osteoporosis), Fight Aging! (2024-07-01)
