Até 2030, o cenário mais sustentado pelas fontes é de transformação do trabalho, não de fim dos empregos: muitas tarefas mudam, algumas funções encolhem e outras crescem. Os números abaixo são projeções, não fatos consumados, e nenhum deles dá o salário ou o número de vagas de uma profissão específica.

O que os relatórios projetam para o mundo

O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), foi feito com mais de 1.000 empregadores, que somam mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias. Segundo o resumo do relatório, a expectativa dessas empresas é a seguinte:

  • cerca de 170 milhões de novos empregos criados até 2030;
  • cerca de 92 milhões de empregos deslocados;
  • saldo de aproximadamente 78 milhões;
  • cerca de 39% das habilidades atuais devem mudar até 2030.

É uma pesquisa de expectativas de empregadores, não uma medição. O resumo aponta como mais dinâmicas as funções ligadas a tecnologia (IA, big data, cibersegurança), à transição energética, ao cuidado e à educação, e cita queda em funções de escritório, administrativas e rotineiras.

O que a OIT diz sobre IA generativa

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou em 20 de maio de 2025 um índice atualizado de exposição à IA generativa. Os principais pontos:

  • cerca de 1 em cada 4 trabalhadores no mundo está em uma ocupação com alguma exposição;
  • só 3,3% do emprego global está na faixa de maior exposição;
  • a exposição é maior em países ricos (34% do emprego) do que nos de baixa renda (11%);
  • funções de escritório são as mais expostas;
  • a conclusão do estudo: a transformação dos empregos é o impacto mais provável, porque a maioria das ocupações reúne tarefas que ainda pedem trabalho humano.

"Exposto" não é "demitido". O índice mede quanto das tarefas de uma ocupação a IA generativa poderia executar.

E no Brasil?

Um estudo do FGV IBRE, com a metodologia da OIT e dados da PNAD Contínua do IBGE, estimou que quase 30 milhões de trabalhadores (29,6% dos ocupados) estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025. Cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais alto. A exposição é maior entre mulheres, jovens, pessoas com mais escolaridade, moradores do Sudeste e trabalhadores de serviços, em especial de informação e comunicação e de serviços financeiros.

O próprio texto do IBRE ressalta que é exposição potencial, não impacto já realizado. Os autores também separam os expostos com baixa complementaridade com a IA (cerca de 20% dos ocupados, grupo mais vulnerável, segundo evidência do FMI citada por eles) dos que têm alta complementaridade (pouco mais de 20%), em que a IA pode ajudar a produtividade.

Como pano de fundo, a PNAD Contínua do IBGE indicou taxa de desocupação de 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026, a menor para esse período na série iniciada em 2012, segundo reportagem sobre o dado divulgado em 29 de setembro. Ou seja: hoje o problema brasileiro medido não é falta de emprego em geral, e a pergunta sobre 2030 é sobre que tipo de tarefa e de vaga muda.

O papel dos agentes de IA

Pesquisa do IEEE com 400 líderes de tecnologia de empresas com mais de mil funcionários (Brasil, China, Índia, Japão, Reino Unido e EUA) indica que 96% esperam que a IA agêntica continue avançando rápido em 2026, e metade estima que de 26% a 50% dos empregos no mundo serão "aumentados" por software de IA no ano. É opinião de gestores de tecnologia, não medição. Um resumo do relatório de tendências da McKinsey descreve agentes como "colegas virtuais" que planejam e executam fluxos de várias etapas, mas observa que o investimento ainda é baixo frente a tendências mais maduras. Para entender o que é (e o que não é) um agente, veja O que é um agente de IA e o panorama em /ia.

Habilidades que ganham peso

Nas fontes lidas, o que aparece com consistência não é uma profissão, e sim um tipo de habilidade:

  • Lidar com dados e com IA: na pesquisa do IEEE, as habilidades mais buscadas em contratações de IA em 2026 foram práticas éticas de IA (44%), análise de dados (38%) e aprendizado de máquina (34%).
  • Adaptação: com 39% das habilidades mudando, aprender continuamente passa a fazer parte do emprego.
  • Julgamento e relacionamento: tarefas que misturam decisão, contexto e contato humano são as que a OIT considera menos automatizáveis por inteiro.

Observação da Redação: isso não garante emprego a ninguém; é a direção apontada pelos estudos.

Riscos e limites

  • Desigualdade: a OIT aponta que mulheres têm maior parcela do emprego na faixa de maior exposição (4,7% contra 2,4% dos homens, em termos globais), e o IBRE mostra maior exposição entre jovens.
  • Entrada na carreira: o IBRE tem estudo associado sobre jovens de 18 a 29 anos em ocupações mais expostas; não verificamos os resultados desse trabalho e por isso não os usamos como fato.
  • Incerteza das projeções: relatórios de empregadores e de consultorias refletem o momento em que foram feitos. Cenários de 2030 mudam com a regulação, o custo da tecnologia e a economia.
  • O que ninguém sabe: o ritmo real de adoção em empresas brasileiras, em especial pequenas, e o efeito sobre salários.

Como se preparar, sem pânico

  1. Mapeie as tarefas do seu trabalho, não só o cargo: quais são repetitivas e quais exigem contexto?
  2. Teste ferramentas de IA em tarefas reais e anote onde erram.
  3. Invista em habilidades complementares: análise de dados, comunicação, domínio do seu setor.
  4. Acompanhe fontes primárias; veja também os indicadores do Futurismo e o glossário.

Perguntas frequentes

A IA vai acabar com os empregos até 2030?

Nenhuma das fontes lidas projeta isso. O WEF espera saldo positivo global de cerca de 78 milhões de empregos, e a OIT considera a transformação mais provável que a substituição. Ainda assim, são projeções e há funções que devem encolher.

Quais profissões mais mudam?

A OIT aponta funções de escritório como as mais expostas à IA generativa. O resumo do WEF cita queda em funções administrativas e rotineiras. Exposição não significa que a função desaparece.

Quantos brasileiros estão expostos à IA generativa?

Segundo o FGV IBRE, quase 30 milhões (29,6% dos ocupados) no terceiro trimestre de 2025, um número de exposição potencial e não de perda de emprego.

Vai surgir profissão nova?

O WEF projeta criação de empregos, em especial em tecnologia, energia e cuidado. O resumo que lemos não traz números por profissão, e a PushTech não os afirma.

O que estudar para 2030?

As fontes apontam para dados, uso crítico de IA e habilidades de relacionamento, mas não há receita garantida. O mais seguro é aprender continuamente e testar as ferramentas no seu trabalho.

Fontes