# iFood Benefícios compra a Caju e soma 3 milhões de usuários no mercado de vale-refeição

> Aquisição depende de Cade e Banco Central; preço não foi divulgado, e veículos estimam entre R$ 1 bilhão e mais de R$ 1,2 bilhão

- Editoria: Aportes
- Autor: Redação PushTech
- Publicado em: 2026-10-21T19:00:00+00:00
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O iFood Benefícios, unidade de benefícios corporativos do iFood, anunciou na terça-feira (20) a compra da Caju, startup de cartão de benefícios flexíveis fundada em 2020. As empresas não divulgaram o preço. A operação já foi notificada ao Cade e também precisa passar pelo Banco Central, porque envolve arranjos de pagamento. Até a conclusão das análises, as duas empresas seguem operando de forma independente.

Os valores publicados vêm de fontes não oficiais e não batem entre si. O NeoFeed informa que a compra é de 100% da Caju, por mais de R$ 1,2 bilhão. O Brazil Journal cita uma fonte que avalia a empresa em cerca de R$ 1 bilhão. A Startups fala em avaliação acima de R$ 1 bilhão, paga em dinheiro.

## O que cada lado leva

Juntas, as empresas somam cerca de 135 mil clientes corporativos e mais de 3 milhões de usuários, sem descontar quem aparece nas duas bases. O iFood Benefícios declara 65 mil empresas e 1,7 milhão de usuários. A Caju tem mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores. Segundo a Bloomberg Línea, a startup tem mais de 700 funcionários.

Pelos cálculos do Brazil Journal, cada empresa processa cerca de R$ 1,3 bilhão por mês, o que indicaria receita anual perto de R$ 450 milhões para cada uma. A conta é uma estimativa do veículo, não um dado divulgado pelas empresas. O iFood põe na mesa sua rede de mais de 500 mil restaurantes e mercados parceiros. A Caju contribui com uma plataforma que já foi além dos benefícios e inclui despesas corporativas, reembolsos, crédito consignado e gestão de pessoas. Com ela, o iFood amplia a relação com as áreas de RH sem precisar desenvolver essas ferramentas.

Segundo o NeoFeed, os fundadores Eduardo Del Giglio e Renan Mendes receberam incentivos para continuar no negócio. Os fundos de venture capital da Caju saem com a venda. A Lazard assessorou a Caju. No jurídico, a Caju teve o Pinheiro Neto e o iFood, o Mattos Filho.

## Histórico de rodadas

De acordo com a Startups, a Caju fez três rodadas:

- **2020:** R$ 13 milhões, com Valor Capital e Canary;
- **2021:** R$ 45 milhões, com Valor Capital e Caravela. A Bloomberg Línea chama essa rodada de Série A;
- **2022:** US$ 25 milhões na Série B, liderada pela K1 Investment Management, com Valor Capital Group, Caravela Capital, Clocktower Ventures e FJ Labs, segundo o NeoFeed.

Pelas contas do Brazil Journal, a startup levantou cerca de US$ 50 milhões ao todo desde 2020.

_Vídeo: iFood compra Caju em plano de investimento de R$ 24 bilhões até 2027 (CNN Brasil)_

## O pano de fundo regulatório

A compra acontece enquanto o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) passa por mudanças. Segundo a Bloomberg Línea, o programa cobre mais de 22 milhões de trabalhadores e movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano. O Decreto 12.712, de novembro de 2025, limitou a taxa cobrada dos estabelecimentos a 3,6% e o intercâmbio a 2%, além de reduzir o prazo de repasse para 15 dias. A interoperabilidade total entre as redes está prevista para novembro.

Na prática, as novas regras enfraquecem o modelo de redes fechadas das empresas tradicionais. Alelo, Ticket, Pluxee e VR ainda têm juntas mais de 80% do mercado. Em nota, o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, apresentou a tese do negócio: "Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem". O Brazil Journal lembra que o decreto pode ser alterado por um próximo governo sem passar pelo Congresso. Del Giglio, cofundador da Caju, disse ao veículo: "Acreditamos que, independentemente do governo, não haverá retrocessos no ambiente regulatório."

![Escritório aberto com pessoas trabalhando em notebooks](/__l5e/assets-v1/d734090e-61e6-469a-bb42-02ac07095270/alex-kotliarskyi-QBpZGqEMsKg-1600.webp)

*Caju ampliou sua plataforma para despesas corporativas e gestão de pessoas · Imagem ilustrativa · Foto: Alex Kotliarskyi / Unsplash*

## Concorrência e o que o negócio sinaliza

Segundo a Startups, iFood Benefícios e Caju juntos teriam cerca de 13% dos beneficiários do PAT, o que os colocaria em quinto lugar no setor. Os desafiantes estão se movimentando. Em setembro, o C6 Bank comprou a Alymente, por valor não divulgado, e o BTG Pactual lançou sua operação de benefícios. A Flash levantou uma Série D de R$ 150 milhões em agosto, liderada pela Battery Ventures e por Kevin Efrusy, e diz ter cerca de 60 mil empresas clientes.

O iFood já tinha tentado outro caminho. Em julho de 2025, fontes disseram que a empresa negociava a compra da Alelo por valores que passariam de R$ 5 bilhões. Bradesco e Banco do Brasil, controladores da Alelo, negaram ter recebido proposta. Ao comprar uma desafiante em vez de uma empresa tradicional, o iFood aposta que, com as redes abertas, ganha quem tiver distribuição e serviços em torno do cartão, e não quem tiver a rede de aceitação. Se essa aposta vai dar certo depende do Cade, do Banco Central e da estabilidade das novas regras do PAT.

## Fontes
- [Ifood compra Caju e acirra competição no mercado de benefícios — Startups](https://startups.com.br/negocios/ma/ifood-compra-caju-e-acirra-competicao-no-mercado-de-beneficios/)
- [iFood Benefícios compra Caju por mais de R$ 1,2 bilhão — NeoFeed](https://neofeed.com.br/startups/ifood-beneficios-compra-caju-por-mais-de-r-12-bilhao/)
- [iFood paga R$ 1 bilhão pela Caju e dobra a aposta em benefícios — Brazil Journal](https://braziljournal.com/ifood-paga-r-1-bilhao-pela-caju-e-dobra-a-aposta-em-beneficios)
- [iFood Benefícios acerta a compra da Caju e amplia disputa por mercado de R$ 150 bi — Bloomberg Línea](https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/ifood-beneficios-acerta-a-compra-da-caju-e-amplia-disputa-por-mercado-de-r-150-bi/)
- [iFood acquires Brazilian HR and benefits startup Caju — LatamList](https://latamlist.com/ifood-acquires-brazilian-hr-and-benefits-startup-caju/)
