A Alice, healthtech paulistana que opera planos de saúde empresariais, captou US$ 40 milhões em uma Série D liderada pelo IFC, braço de investimento privado do Banco Mundial. A rodada foi publicada pela Startups em 19 de outubro. Também entraram duas financiadoras de desenvolvimento estreantes na empresa, a alemã DEG e a finlandesa Finnfund. Os acionistas Kaszek, ThornTree Capital e Canary acompanharam. O valuation não foi divulgado.

O dinheiro vai, em termos gerais, para ampliar o uso de inteligência artificial e lançar produtos baseados nela. Um deles é a Alice AI, assistente no aplicativo que usa o histórico de cada membro para orientar o acesso a telemedicina, especialistas e hospitais.

Os números apresentados

Segundo a empresa, a Alice tem mais de 100 mil membros. Em 2021 eram cerca de 6 mil. A receita recorrente passa de R$ 1,2 bilhão, com crescimento anual de cerca de 70%. A empresa também diz ter reduzido em 18% o custo das operações de cuidado e em 12,5% o tempo de espera. A meta é levar o custo administrativo para cerca de 2% da receita. Pela estimativa da própria Alice, o mercado fica entre 7,5% e 12%. Nenhum desses dados foi auditado de forma independente, e as fontes não informam se a operação já dá lucro.

O cofundador e CEO André Florence disse à Startups que a virada para um modelo centrado em IA foi deliberada: "Fizemos um esforço intencional e organizado para que a Alice se tornasse essa empresa."

Vídeo institucional da própria Alice apresentando o modelo do plano.
Vídeo: Alice

Histórico de rodadas

A Alice foi criada em 2019 por André Florence, Matheus Moraes e Guilherme Azevedo, segundo o NeoFeed. As rodadas confirmadas em fontes abertas:

  • Série B (fevereiro de 2021): US$ 33,3 milhões, liderados pela ThornTree Capital Partners, com Endeavor Catalyst, Kaszek, Canary e Maya Capital (NeoFeed). Antes dela, a empresa tinha levantado cerca de US$ 14,5 milhões;
  • Série C (dezembro de 2021): US$ 127 milhões, liderados pelo SoftBank, com Kaszek, ThornTree, Allen & Company, G Squared, Globo Ventures e StepStone (Tecnoblog);
  • Extensão da Série C (fevereiro de 2025): US$ 22 milhões, com Kaszek, ThornTree, Canary e Globo Ventures (Startups);
  • Série D (outubro de 2026): US$ 40 milhões, liderados pelo IFC.

O caminho até aqui teve ajustes. Segundo a Startups, a Alice passou a vender apenas para empresas a partir de 2023, comprou cerca de 16 mil vidas da QSaúde e fechou unidades próprias de atendimento. Em fevereiro de 2025, tinha 42 mil membros e receita anualizada de R$ 465 milhões. Na rodada atual, a Canary informou que comprou a participação do SoftBank, que deixou o conselho.

Profissional de saúde mostrando imagens médicas

Assistente de IA da Alice usa o histórico do membro, mas não faz diagnóstico, segundo a empresa · Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels

O que o aporte sinaliza

O dado mais revelador está na lista de investidores. IFC, DEG e Finnfund são instituições de financiamento ao desenvolvimento. Elas costumam investir em empresas com escala e governança já estabelecidas, e não em apostas de fase inicial. A entrada delas, junto com a troca do SoftBank pela Canary, sugere que a base acionária está ficando mais estável depois do ciclo de 2021, quando a empresa levantou seu maior cheque.

Há dois limites para essa leitura. O primeiro é que o valor de US$ 40 milhões é bem menor que a Série C de 2021, e a avaliação da empresa não foi revelada. Não dá para afirmar, portanto, se a rodada foi feita com valorização. O segundo é que a promessa central, reduzir o custo administrativo com IA, depende de números que por enquanto vêm só da própria Alice. Os próximos balanços e a evolução da sinistralidade vão mostrar se a estratégia se sustenta em um setor de margens apertadas.

Fontes